No mesmo dia que TSE manda fazer pente-fino, Lula entra no canal “Exército do Lula” como “Marechal”

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Enquanto Nunes Marques concede 24 horas para a Meta fazer uma devassa técnica sobre o grupo, presidente é promovido a administrador por André Janones e promete passar “missões” aos apoiadores.

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Em um desdobramento que acirrou ainda mais a disputa eleitoral no ambiente digital, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu um prazo de 24 horas para que a Meta (responsável pelo WhatsApp e Instagram) envie um amplo relatório técnico sobre o funcionamento do canal “Exército do Lula”.

A determinação ocorreu exatamente no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a integrar o canal como administrador, gravou vídeo e começou a convocar a militância para a “batalha” eleitoral.

TSE cobra “pente-fino” na Meta e no Google

A decisão de Nunes Marques atende a um pedido da coligação do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que aponta possíveis irregularidades no impulsionamento e no alcance das mensagens. O objetivo do tribunal é fazer um raio-x para checar se a Meta está cumprindo o plano de conformidade assinado com a Justiça Eleitoral.

O relatório exigido pelo TSE precisará detalhar sete pontos técnicos cruciais:

  • Indícios de atuação coordenada, disparos em massa e réplicas entre contas e plataformas;
  • Padrões de engajamento, alcance e eventual amplificação artificial de conteúdos;
  • Circulação de mensagens encaminhadas, alteradas ou excluídas;
  • Existência de anúncios pagos ou distribuição patrocinada;
  • Critérios técnicos usados pela empresa para diferenciar uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado irregular”.

Além da Meta, o ministro ordenou que o Google informe se identificou impulsionamentos e manipulação coordenada de hashtags nos mecanismos de busca em alta e sugestões de pesquisa entre os dias 18 e 20 de outubro.

Lula vira “Marechal” do grupo e assume envio de missões

No mesmo dia da intimação judicial, os participantes do canal receberam um áudio do deputado federal André Janones (Rede-MG), idealizador da página, anunciando ter recebido uma ligação da primeira-dama, Janja Silva. Segundo Janones, Lula estava com o celular em mãos e desejava interagir diretamente com a base para passar “orientações e missões”.

Na sequência, o parlamentar adicionou o perfil do presidente como administrador do grupo, cadastrando o contato sob o nome de “Marechal Lula da Silva”.

A estreia do candidato à reeleição ocorreu com uma mensagem de texto dizendo “cheguei”, acompanhada do emoji de uma lula, e a publicação de um vídeo gravado pelo próprio presidente em formato de selfie convocando os apoiadores para uma transmissão ao vivo.

“Vocês viram que meu general está bravo, tá convocando todo mundo, e eu vou chegar exatamente às 19 horas. E eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários”, declarou Lula no vídeo.

O caso do “Exército do Lula” acumula idas e vindas no tribunal: na semana passada, Nunes Marques chegou a suspender o canal, mas a liminar foi derrubada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Agora, com a entrada direta do presidente no grupo, a análise do relatório da Meta promete ser um dos pontos mais críticos da reta final no TSE.

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