“Comido vivo”: pedreiro identifica larvas comendo a cabeça dele, em Praia Grande, SP

Foram retiradas algumas larvas e feitos exames, que constaram diversos buracos na cabeça do pedreiro. Foto: Reprodução/Praia Grande Mil Grau

Um pedreiro de 49 anos teve larvas (bernes) identificadas na cabeça em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ele já está com os parasitas desde a semana passada e relata  que recebeu atendimento em hospitais públicos da cidade, mas afirma que os ferimentos pioraram nos últimos dias e não aguenta a dor.

A família percebeu que ele estava com larvas na cabeça no fim da semana passada. \”Fomos para São Paulo e, quando ele deitou no meu colo, vi as larvas andando. Lá mesmo o levamos ao hospital e retiraram algumas com pinça\”, conta a esposa.

Homem que está em tratamento, diz que não aguenta a dor. Foto: Reprodução/Praia Grande Mil Grau

\”Chegamos lá ainda no sábado, às 16h, e só saímos às 23h, mas não foi feito nada. Fomos então para UPA de Santos, eles atenderam e jogaram um remédio que saiu 25 larvas quase que instantaneamente\”, diz.

A família acreditou que já haviam saído todos os parasitas, mas, quando foi fazer o curativo já no domingo (26), no Pronto Socorro, os enfermeiros afirmaram que ainda haviam larvas em sua cabeça.

Foram retiradas algumas e feitos exames, que constaram diversos buracos na cabeça do pedreiro, já que a larva se alimenta do tecido subcutâneo, muscular, segundo especialista.

Com a piora, a família pediu ajuda nas redes sociais e acabou conseguindo uma vaga para tratamento em São Paulo. \”Isso é uma vergonha. A pessoa mora aqui e tem que ir para São Paulo porque se não iria morrer aqui, sendo comido vivo. Ele sentia tanta dor, que falou que se continuasse assim era melhor morrer\”, desabafa a esposa.

A larva

Conforme explica o neurocirurgião João Luis Cabral, a larva (chamada \’berne\’) não é comum na cidade, e sim em regiões de agropecuária, onde há mais bovinos e equinos. \”Essa larva dá mais em cachorros, bois, vacas, mas que vivem em sítios e fazendas\”.

A larva pode ser contraída por falta de recursos básicos sanitários, falta de higiene e até mesmo falta de orientação. \”Também se dá pelo contato por animais que estão infectados. É a mosca que transporta essa larva ao pousar em cima do animal infectado. Em seguida, ela carrega o parasita e, quando pousa em uma ferida aberta do ser humano, a transmite para dentro daquele ferimento\”, relata.

Segundo o especialista, para o tratamento é importante entrar com antibióticos próprios a esses parasitas. \”A melhor maneira de eliminar as larvas é fazer tratamento medicamentoso, mas isso quando são poucas delas. Se houver larvas em grande quantidade, em que o médico não tirará sozinho, é preciso internar e fazer remoção cirúrgica\”, diz.

A Secretaria de Saúde afirma que não é necessário a internação, pois há risco de contrair uma infecção, uma vez que a ferida não pode ser coberta e também não tem condições das larvas serem retiradas de uma só vez. \”É necessário compreender que o caso requer um tratamento, não podendo ser solucionado de uma só vez\”, diz a secretaria.

Essa não é primeira vez que um caso assim é registrado em Praia Grande. Em outubro de 2019, os médicos retiraram cerca de 40 \”bernes\” que estavam comendo a cabeça de uma criança.

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