Dose de reforço da vacina é bem diferente de 3ª dose, diz Butantan

Dimas Covas diz que no momento uma terceira dose está descartada no Brasil, mas que é preciso pensar em uma revacinação.

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o significado de dose de reforço e 3ª (terceira) dose, o que acaba dando margem para o surgimento de fake news nas redes sociais. Mas uma coisa precisa ficar clara: dose de reforço é bem diferente de 3ª dose. 

A 3ª dose é quando uma pessoa toma três doses de um mesmo tipo de vacina.

Na dose de reforço, a composição do imunizante contra a Covid-19 não deve ser a mesma, mas uma atualização feita a partir das novas variantes em circulação do coronavírus, como acontece todo ano com a vacina da gripe, atualizada com as novas mutações do vírus.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, já sinalizou que, até o momento, uma terceira dose está descartada no Brasil, mas que é preciso pensar em uma revacinação.

“As pessoas acham que quem tomou as duas doses teria que tomar uma terceira dose para complementar a imunidade. Não é o que tratamos aqui. Estamos falando de uma revacinação”, comentou o presidente em coletiva de imprensa.

Apesar da declaração do presidente do Instituto Butantan, representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da farmacêutica Pfizer se reuniram hoje (19) para discutir o uso da terceira dose da vacina contra a covid-19.

A Anvisa busca subsídios para avaliar se a dose é necessária e em que situações e com quais parâmetros ela seria aplicada. No informe sobre a reunião, a Anvisa não detalhou se a Pfizer disponibilizou alguma informação sobre suas pesquisas.

Segunda geração de vacinas

Ao que tudo indica, a Covid-19 se tornará endêmica, ou seja, fará parte do nosso calendário de vacinação. Uma pesquisa da coalizão People’s Vaccine sugere que o mundo vai precisar de uma nova imunização dentro de um ano.

Mas a introdução de uma segunda geração de vacina, com as atualizações de novas cepas do vírus, e que promete uma durabilidade maior que as atuais vacinas, só deve acontecer depois que todas as pessoas forem imunizadas. 

O mundo todo vacinou, até o momento, entre 20% e 30% da população, número relativamente pequeno para começar a se pensar em uma revacinação.

A Organização Mundial da Saúde alerta para o risco da terceira dose deixar ainda mais desigual a distribuição de vacinas pelo mundo, sendo que a pandemia é global e, portanto, é uma tarefa coletiva de todas as nações, e não só das mais ricas.

Fonte: Instituto Butantan