‘Imposto do Pecado’; entenda o que é e quais produtos ficarão mais caros

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Medida Provisória regulamenta o Imposto Seletivo, criado pela Reforma Tributária para sobretaxar itens prejudiciais à saúde pública e ao meio ambiente.

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O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, nesta semana, a Medida Provisória (MP) que estabelece as diretrizes e regras de cobrança do Imposto Seletivo (IS), popularmente apelidado de “imposto do pecado”.

A nova tributação é uma das principais inovações trazidas pela Reforma Tributária e tem como foco onerar bens e serviços cujos impactos sejam considerados nocivos à sociedade.O tributo começará a ser cobrado em 2 de fevereiro de 2027.

O que é e por que foi criado?

O Imposto Seletivo foi criado para substituir parte das funções do atual Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Diferente de tributos comuns, que visam puramente a arrecadação para os cofres públicos, o “imposto do pecado” tem uma finalidade regulatória e comportamental.

O objetivo do governo é utilizar o peso da tributação para desestimular o consumo de produtos que geram altos custos posteriores para o Sistema Único de Saúde (SUS) — como o tratamento de doenças crônicas, cânceres e problemas respiratórios —, além de inibir atividades que provocam danos climáticos e ambientais severos.

Quais as alíquotas do imposto seletivo?

A regulamentação mira setores específicos. A cobrança recairá sobre a produção, extração, comercialização ou importação dos seguintes itens:

🥤 Bebidas açucaradas: 2,6% (refrigerantes, néctares e sucos industrializados com adição de açúcar)

🍺 Cervejas: 4,2%

🍶 Vinhos e outras bebidas fermentadas, como sidra, perada, hidromel e saquê: 8%, com exceções previstas na MP

🍷 Vermutes e outros vinhos aromatizados: 12%

🍷 Vinhos do Porto, Madeira e Xerez: 16%

🍶 Outras bebidas fermentadas com teor alcoólico acima de 14%: 16%

🍹 Bebidas alcoólicas refrescantes com teor abaixo de 8%, na categoria prevista pela MP: 16%

🥃 Rum e outras aguardentes feitas de cana-de-açúcar, exceto as produzidas a partir do melaço: 20%

🍸 Gim, vodca, licores e outros destilados e bebidas alcoólicas dessa categoria: 24%

🚬 Cigarros e determinadas cigarrilhas: 66,7% + R$ 3,50 a cada 20 unidades

🚬 Outros produtos de tabaco ou nicotina, como charutos e produtos para inalação sem combustão: 37,5%

🚗 Carros de passeio: 6,3% como ponto de partida. A alíquota pode aumentar ou diminuir conforme características como combustível, potência, eficiência energética, segurança e reciclabilidade.

🛻 Veículos leves destinados ao transporte de cargas: 3,9% como ponto de partida. A alíquota também pode aumentar ou diminuir conforme as características do veículo.

✈️ Aeronaves: 6,8%. Aeronaves elétricas ou com outra tecnologia sem emissão direta de CO₂ terão alíquota zero.

🛥️ Determinados barcos a motor para lazer ou esporte: 12%

🚤 Demais embarcações de recreio ou esporte a motor: 7,8%. Embarcações elétricas ou com outra tecnologia sem emissão direta de CO₂ terão alíquota zero.

🎰 Loterias e outras modalidades de apostas incluídas nessa categoria: 0,5%

⛏️ Bens minerais extraídos: alíquota zero em 2027.

Os produtos vão ficar mais caros?

Sim. O consumidor final sentirá o impacto direto no bolso, e esse é exatamente o propósito da medida. O Imposto Seletivo funcionará como uma tarifa extra, cobrada uma única vez (monofásica) na origem do produto, somando-se aos novos impostos gerais sobre consumo criados pela reforma (o IBS estadual/municipal e a CBS federal).

A cobrança poderá ser “ad valorem” (um percentual sobre o preço do produto) ou “específica” (um valor fixo por quantidade, como um valor “X” por litro de álcool ou miligrama de açúcar).

Como a carga tributária total sobre esses itens selecionados será maior do que a média aplicada a produtos comuns do dia a dia, a indústria fará o repasse de custos, encarecendo os itens nas prateleiras dos supermercados e concessionárias.

A Medida Provisória agora passará pela análise de comissões e votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, onde as alíquotas exatas e a lista de produtos ainda podem sofrer alterações pelos parlamentares.

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