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Da prisão à política: Beto Passos está de olho nas eleições municipais

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Proibido por força da colaboração premiada de voltar à vida pública, Passos articula nos bastidores.

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Beto Passos, uma das figuras centrais na 9ª fase da Operação Et Pater Filium, que abalou o cenário político de Canoinhas, está novamente tentando entrar em evidência, apesar de estar proibido de voltar à vida pública e cometer atos delituosos.

Após ficar preso por quase seis meses, confessado sua participação em maracutaias (leia-se corrupção, fraude e lavagem de dinheiro, entre outras) e assinado um acordo de colaboração premiada que lhe permitiu sair do presídio, agora está articulando politicamente e influenciando as eleições municipais de outubro. Nas barbas do povo.

Da prisão à política

Diariamente, em seu programa na Rádio Nativa, Passos critica fervorosamente a administração da atual prefeita municipal, sem mencionar seu próprio envolvimento nos esquemas corruptos que prejudicaram a cidade. Suas críticas são permeadas pela ironia do fato de que ele mesmo contribuiu para as dificuldades que hoje denuncia. Também não menciona que usou dinheiro público para comprar posto, casa e carro em benefício próprio, ao invés de investir em recursos na Secretaria de Obras do município, por exemplo.

Passos aproveita seu espaço na mídia para fazer politicagem, contrariando o propósito de um veículo comunitário de comunicação, que deveria zelar pelo interesse público. Embora seus ataques sejam constantes, convenhamos que motivos não lhe faltam.

A prefeita Juliana, enquanto ainda vereadora, foi uma das primeiras a levantar questionamentos significativos sobre a gestão de Beto Passos e Renato Pike. Para dar um exemplo, meses antes da operação estourar em Canoinhas, ela destacou discrepâncias nas quilometragens dos caminhões de brita, usados em contratos municipais, que indicavam superfaturamento e desvios de dinheiro público.

Quem não lembra dos famosos 1 milhão de quilômetros rodados pelos caminhões? “Dava fazer três viagens da Terra à Lua para se alcançar essa distância“, disse Juliana na ocasião, lembrando que Canoinhas tem cerca de 2 mil quilômetros de estradas.

Na época, a bancada governista tentou abafar o caso. “Não vamos fazer pré-julgamento“, defendeu o vereador Osmar Oleskovicz. No entanto, o tempo e a Justiça confirmaram que os contratos eram realmente superfaturados, com recursos desviados para benefício de Passos e seus aliados. O dinheiro que deveria ir para os cofres públicos eram direcionados para os próprios cofrinhos.

Passos e o Republicanos

O contato de Willian Godoy com o ex-governador Moisés, agora presidente estadual do Republicanos, facilitou o controle de Passos sobre o partido. Seu aliado Sandro Teixeira, colega de programa, foi indicado como preposto. Depois passou para Katia Oliskowski. Atualmente, o ex-vereador Célio Galeski é o presidente do partido. Teoricamente, todos indicados por Passos.

Passos e o MDB

Frequentemente visto com membros do MDB, o ex-presidiário Passos parece estar negociando cargos e influências. Embora o partido negue, especula-se que Passos esteja indicando nomes para a vice-prefeitura de Beto Faria. Entre os favoritos estariam Willian Godoy e Katia Oliskowski, porém a bola da vez parece ser Célio Galeski, que já declarou publicamente seu retorno à política. Onde ele afirmou isso? Curiosamente em entrevista concedida a Passos na Rádio Nativa, com direito a troca de elogios mútuos.

Passos e o PT

Beto Passos não esconde sua admiração por Lula. Não por coincidência, a Rádio Nativa é comandada pelo PT em Canoinhas. Passos está confortável, pois já foi do Partido dos Trabalhadores. E foi o PT que abriu espaço para ele na emissora.

Beto Passos e o PSD

A relação de Passos com o PSD é nebulosa. Apesar do partido publicizar (lá em outubro de 2022) que Passos foi expulso, até pouco tempo ele figurava como presidente licenciado do partido, conforme dados oficiais disponíveis para consulta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aparentemente segue articulando junto com seus correligionários: os vereadores Osmar Oleskovicz, Wilmar Sudoski e Willian Godoy. Compare os discursos usados pelos três na Câmara de Vereadores e os de Passos na rádio.

O Retorno da Justiça

A justiça ainda não terminou com Passos. Na última semana, o Ministério Público retomou o processo sobre a compra de caminhões e contratos superfaturados, um esquema que ele próprio confessou e detalhou. Embora atualmente livre, o futuro de Beto Passos continua incerto, com a possibilidade de voltar para trás das grades.

Vote consciente

Tão importante saber em quem votar é saber em quem não votar. Em quem tem as mãos sujas e manchadas pela corrupção. Ou a canela marcada. Ele não conta, mas ainda está usando tornozeleira eletrônica.

A presença de Passos no cenário político é um alerta para que os eleitores fiquem atentos e cautelosos, não se deixando enganar por discursos populistas de quem já confessou crimes contra o patrimônio público. Confiar em um corrupto confesso, ou em alguém indicado por ele, é um risco que a cidade de Canoinhas não pode correr novamente.

Em um país onde a justiça e a moralidade frequentemente parecem estar em lados opostos, Passos se destaca como um exemplo claro dessa dicotomia.