Interrupção de missa, por fiscais da Covid e PM, gera reação da Igreja Católica em SC

Autoridades sanitárias não concordaram com a celebração da missa no salão paroquial. Foto: Redes Sociais/Reprodução

A interrupção de uma missa em que adolescentes recebiam o sacramento da crisma, em Botuverá, no Médio Vale do Itajaí, no fim de semana passado, gerou uma crise entre igreja católica e fiscalização da Covid-19. 

Policiais militares, um agente da vigilância epidemiológica e a secretária de Saúde do município, foram à paróquia São José, no último sábado (28) à noite, e solicitaram que a cerimônia fosse encerrada. 

O assunto gerou reação do arcebispo de Florianópolis, Wilson Tadeu Jönck, e virou cavalo de batalha para quem não concorda com restrições sociais estabelecidas por autoridades devido à pandemia. Quem celebrava a missa era o próprio arcebispo Jönck.

“Eu me senti humilhado”, disse o pároco e considerou o fato um atentado contra a fé católica.

\”Conseguimos levar até o final da crisma, sendo crismados os participantes, como também na hora da comunhão foi nos avisado que iriam entrar com os policiais. Então, o bispo decidiu então fazer a oração final, agradecer e dar a benção”, contou o padre.

De acordo com o padre, os pais e padrinhos, além dos crismandos foram impedidos de comungar. “Foi um atentado contra a fé católica, contra os nossos católicos de Botuverá, foi um sacrilégio.

Três dias depois, na terça-feira (1º), em nota, o arcebispo garantiu que as diretrizes de prevenção à Covid-19 foram obedecidas e classificou a ação como perseguição contra cristãos. 

“Pessoalmente, a parte que mais me feriu foi a ordem de interromper a santa missa. E foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu”, escreveu.

A prefeitura de Botuverá apresentou um ofício assinado pelo pároco Paulo Vanderlei Riffel, na manhã de sábado (28), em que ele foi comunicado da impossibilidade de promover a crisma. 

Segundo o município, ele também teria sido avisado verbalmente, quinta e sexta-feira, de que Secretaria de Estado da Saúde e Ministério Público não autorizaram a cerimônia nos moldes desejados

No centro da discórdia está o local da celebração. Com a limitação de público em 30% da capacidade, não seria possível receber os mais de 80 crismandos acompanhados de familiares na Igreja, então, optou-se pelo salão paroquial, mais amplo. 

Botuverá tem autorização para missas e cultos religiosos com restrição de público, mas não para eventos sociais. No caso específico, o problema foi o local da celebração, o salão paroquial, e por isso foi considerado como \”um evento social\”.

As autoridades de saúde informaram que orientaram a igreja a dividir os adolescentes em turmas, o que não foi atendido. 

\”Reiteramos nosso compromisso com a comunidade católica, salientando que em nenhum momento a administração municipal se posicionou contrária a realização do evento e sim com a forma e modalidade em que se pretendia realizar, reafirmando que nos termos da legislação vigente o evento seria possível\”, diz o comunicado da prefeitura.

REDES SOCIAIS

Na foto da celebração que circula em redes sociais, é possível ver os adolescentes e padrinhos sentados em cadeiras separadas. Ao fundo, familiares acompanhavam a crisma. 

Sites e perfis em redes sociais que costumam atacar restrições contra a Covid-19 engajaram-se no caso. Devido a ofensas e ameaças em série recebidas de diversos estados brasileiros, a secretária de Saúde de Botuverá, Márcia Cansian, pediu exoneração do cargo.

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