Norte catarinense: Médicos que deveriam estar de plantão em Hospital são encontrados em casa

Conforme inquérito, médicos que atuam no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, são suspeitos de registrar as digitais e saírem do hospital sem cumprir a jornada integral de trabalho, voltando apenas no final do expediente para marcar a saída.

A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) cumpriram na manhã desta terça-feira (15), em atuação conjunta, 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça contra médicos que atuam no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville.

Dois médicos, um homem e uma mulher, foram presos em flagrante porque deveriam estar de plantão, mas foram encontrados pelos policiais em casa
Eles foram autuados por falsidade ideológica e ficaram em silêncio durante o interrogatório policial.
Um dos médicos investigados por fraudar o registro do ponto no Hospital Regional de Joinville foi visto entrando em um motel da cidade em um momento em que deveria estar trabalhando, segundo o apontamento do sistema da unidade de saúde. A informação foi confirmada pelo delegado Rafaello Ross, responsável pela operação.

A polícia não divulgou os nomes dos profissionais suspeitos por conta da lei de abuso de autoridade. A Polícia Civil informou que os médicos investigados são de diferentes especialidades.

A ação é da Divisão de Investigação Criminal (DIC). As investigações iniciaram em setembro deste ano e passaram a apurar denúncias de que médicos que atuam no referido hospital estariam burlando o controle de frequência a que estão submetidos, não cumprindo a carga horária mensal de trabalho, em que pese auferirem seus vencimentos de forma integral.

Foram 45 dias de monitoramento dos policiais no cotidiano profissional destes médicos, sendo apurado que os servidores – médicos de variadas especialidades – registravam a entrada no hospital, via ponto biométrico, mas logo depois deixavam o local sem constar a saída, seguindo então para a realização de inúmeras atividades particulares, dentre atendimentos em clínicas privadas, compras no comércio e atividades esportivas, retornando ao trabalho apenas para inserir digitalmente à saída.

Segundo verificado nos vínculos funcionais dos suspeitos com o Estado, todos são servidores concursados e recebem entre R$ 9 mil e R$ 20 mil mensais por uma jornada de 80 horas/mês.

Foi apurado ainda, que através da fraude investigada, alguns servidores receberam, inclusive, horas extras.

Flagrantes e investigação

Segundo o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) Rafaello Ross, a médica presa bateu a entrada de expediente no hospital às 9h de segunda-feira (14) e deveria sair nesta terça às 9h, em um plantão de 24 horas, mas estava em casa dormindo. 

Já o homem efetuou o registro às 18h50 de segunda e também deveria estar na unidade de saúde.

A suspeita é de que eles registravam as digitais no ponto biométrico e saíam do hospital sem cumprir a jornada integral de trabalho, voltando apenas no fim do expediente para marcar a saída. O inquérito ainda não tem prazo de quando será finalizado.

\”O que foi constatado é que esses profissionais chegavam ao hospital, marcavam a presença e, pouco tempo após, deixavam o local. Iam realizar as mais diversas atividades particulares: atendimento em clínicas, compras no comércio, atividades esportivas, e retornavam para marcar o fim da jornada de trabalho\”, disse o delegado.

A polícia irá remeter os flagrantes ao Judiciário, que decide pela continuidade ou não das prisões.

A Polícia Civil informou que os profissionais investigados são concursados e atuam no Hospital Regional Hans Dieter Schimidt, que é estadual, recebendo entre R$ 9 mil e R$ 20 mil por 80 horas de trabalho por mês. Alguns têm vínculos de 15 a 30 anos com o estado. Outros, trabalham há quatro anos.

A polícia ainda não sabe há quanto tempo a irregularidade com os pontos era cometida.

A Secretaria de Estado da Saúde informou em nota que \”abrirá sindicância para apurar a conduta dos profissionais envolvidos e aguarda o desfecho da investigação\”.

Fonte: Polícia Civil de Santa Catarina

Uma médica, que foi pres, bateu a entrada de expediente no hospital às 9h de segunda-feira (14) e deveria sair nesta terça às 9h, em um plantão de 24 horas, mas estava em casa dormindo.

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