O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, subiu o tom nesta terça-feira (13) ao comentar a situação do Banco Master. Em declaração na entrada do ministério, Haddad afirmou que o país pode estar diante da maior fraude bancária de sua história e manifestou apoio total à atuação do Banco Central (BC) no processo de liquidação da instituição.
Alinhamento entre Fazenda e Banco Central
Haddad revelou manter um diálogo diário com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para acompanhar os desdobramentos da crise. O ministro enfatizou a necessidade de cautela técnica, mas defendeu uma postura firme na proteção do interesse público.
“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas, garantindo o espaço para a defesa, mas sendo firmes em relação ao que tem que ser defendido”, declarou o ministro.
O ministro também revelou que tratou do assunto com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Segundo ele, houve avanços na interlocução entre os órgãos de controle e o Banco Central. Para Haddad, a investigação completa do caso será fundamental para esclarecer responsabilidades e evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
O Contrato Multimilionário e o STF
Paralelamente à crise financeira, o Banco Master está no centro de uma polêmica envolvendo o Judiciário. O escritório Barci de Moraes Associados, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 131,3 milhões com a instituição de Daniel Vorcaro.
Os detalhes do contrato:
- Valor Mensal: R$ 3,6 milhões.
- Duração: 3 anos (totalizando cerca de R$ 130 milhões até 2027).
- Escopo: Atuação “estratégica, consultiva e contenciosa” em cinco núcleos, incluindo o Banco Central, a PGFN, o Cade e a Receita Federal.
O valor e a natureza do serviço têm sido questionados, uma vez que críticos apontam uma suposta falta de contrapartida proporcional ao montante recebido. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não emitiu explicações detalhadas sobre o vínculo comercial da esposa com o banco.
Investigação sobre Vazamentos
De acordo com informações da jornalista Hadass Leventhal, a principal preocupação de Moraes no momento seria identificar a origem do vazamento dessas informações. O ministro cogita abrir um inquérito para investigar se houve quebra de sigilo fiscal por parte da Receita Federal ou do Coaf.
Além de Moraes, o ministro Dias Toffoli também teria tido dados financeiros de sua família expostos. Toffoli, vale ressaltar, é o atual relator do inquérito que apura as fraudes no Banco Master, após uma decisão que gerou debates sobre o princípio do “juiz natural” no Supremo.







