Apesar de a grande maioria da população ter consciência sobre os perigos associados aos sinais de alerta do câncer colorretal, uma parcela significativa dos brasileiros adia a ida ao consultório médico ao notar complicações.
A conclusão faz parte de um levantamento inédito divulgado pelo Hospital A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.
O estudo apontou que 80% dos entrevistados declararam saber que sintomas como presença de sangue nas fezes e mudanças no ritmo intestinal por mais de um mês podem indicar um quadro grave.
Além disso, 91% concordam (sendo 24% concordando totalmente) que tais manifestações podem estar ligadas ao câncer intestinal.
Apesar desse conhecimento prévio, a reação prática diante dos sinais ainda preocupa especialistas.
Negligência e automedicação diante dos sintomas
Entre os entrevistados, 9% relataram já ter notado sangramento nas fezes. Do total de pessoas que identificaram esse sinal de alerta, apenas 59% procuraram atendimento profissional de imediato. Os demais 40% adiaram ou ignoraram a busca por ajuda:
- 19% não tomaram nenhuma atitude e esperaram o sintoma desaparecer espontaneamente;
- 10% aguardaram dias ou semanas antes de marcar uma consulta médica;
- 7% apelaram para remédios caseiros ou alterações por conta própria na dieta;
- 3% foram diretamente à farmácia comprar medicamentos por decisão própria;
- 1% optou por pesquisar informações na internet antes de buscar orientação profissional.
Desconhecimento sobre o exame preventivo inicial
Outro dado alarmante revelado pela pesquisa é a falta de informação sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO) — o principal exame de rastreamento para identificar lesões ou o tumor em fase assintomática ou inicial.
- 67% nunca ouviram falar sobre a existência do teste de Sangue Oculto;
- 21% conhecem o procedimento, mas admitiram que nunca o realizaram;
- Apenas 11% da população informou já ter feito o exame ao menos uma vez.
A falta de informação é ainda mais acentuada entre jovens de 16 a 24 anos (85%), homens (76%), pessoas com renda mais baixa (73%) e entrevistados com escolaridade até o ensino fundamental (72%). O estudo também apontou que 75% dos brasileiros nunca tiveram contato com parentes ou amigos diagnosticados com a doença.
A importância do diagnóstico precoce e rastreamento
O médico Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo, alerta que sangramentos, dores abdominais persistentes, perda de peso inexplicável e alterações no hábito intestinal não devem ser subestimados.
“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Aguiar.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028, consolidando a neoplasia como a segunda de maior incidência no país.





