Há histórias que mostram, na prática, a importância de ter um atendimento especializado perto de quem precisa. Em Canoinhas, Pedro Henrique, de 7 anos, e Matheus, de 3, são dois dos mais de 480 meninos e meninas acompanhados pelo Centro de Intervenção Multidisciplinar (CIM).
Inaugurado em 2025, o espaço reúne, em uma mesma estrutura, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social. O modelo de atendimento integrado é único em Santa Catarina e foi criado para ampliar o suporte às crianças e oferecer às famílias um acompanhamento mais completo.
Pedro foi diagnosticado com autismo aos 4 anos e já fazia terapias havia cerca de três anos. A busca pelo CIM aconteceu diante da necessidade de ampliar e aprimorar o acompanhamento, especialmente na fonoaudiologia. Neste ano, o irmão Matheus também chegou ao Centro, onde passa por estimulação precoce, investigação e intervenção.
“Primeiramente foi por causa do Pedro. Ele foi diagnosticado com autismo aos 4 anos e fazia terapia em outros locais. Como precisava de um acompanhamento maior, foi encaminhado para cá. Depois veio o Matheus, que ainda está em investigação”, conta a mãe, Josiane de Paula, auxiliar administrativa.
Segundo ela, os primeiros meses já trouxeram motivos para comemorar. “O Pedro já vinha fazendo terapia há anos e a gente precisava aprimorar. Conseguimos fono aqui, que é muito difícil. E o Matheus também. A fala dele é bem complicada, mas agora, em três meses, a gente já vê uma evolução”, revela a mãe.
“Até a questão da socialização na escola melhorou. A gente se sente muito orgulhoso”, completa o pai José de Paula, monitor de educação especial.
A experiência da família traduz o propósito do CIM: reunir diferentes especialidades e serviços para que cada criança seja acompanhada de acordo com suas necessidades, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também o desenvolvimento, a aprendizagem, a convivência e o contexto familiar.
Na área da saúde, o Centro atende crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), entre outras demandas que necessitam de acompanhamento especializado.
“Cada criança apresenta necessidades próprias e precisa ser observada de maneira individualizada. No CIM, conseguimos reunir diferentes profissionais e construir esse cuidado de forma articulada. Atendemos crianças com TEA, TDAH e TOD, oferecendo suporte de acordo com cada caso”, explica a coordenadora do Centro, Hellen Cordeiro.
Para o secretário municipal de Educação, James Brey, a integração entre as áreas também fortalece o acompanhamento no ambiente escolar. “Educação e saúde precisam caminhar juntas quando falamos do desenvolvimento infantil. Ter essa equipe integrada permite compreender melhor as necessidades de cada criança e pensar em estratégias que contribuam para sua aprendizagem, autonomia e participação na escola”.
Na assistência social, o trabalho amplia o olhar para as famílias e para as diferentes situações que podem interferir no desenvolvimento das crianças. “O atendimento não se limita à criança. Também precisamos olhar para a família, compreender suas necessidades e facilitar o acesso às políticas públicas. Essa integração torna o caminho mais organizado e fortalece quem está vivendo essa realidade”, afirma o secretário de Assistência Social, Vilson do Nascimento.
Desde o início das atividades, o número de famílias que procuram o serviço vem crescendo. Para a prefeita Zenilda Lemos, a procura demonstra a importância de manter e ampliar uma estrutura especializada no município. “Mais do que oferecer atendimentos, queremos criar possibilidades. Cada criança tem seu próprio ritmo e suas potencialidades, e o poder público precisa garantir condições para que elas possam avançar. O CIM representa esse compromisso e já está fazendo diferença para muitas famílias de Canoinhas”.
A procura pelo serviço cresce a cada dia, porque mais famílias estão buscando o acompanhamento que seus filhos precisam. “Seguimos trabalhando para ampliar gradualmente o alcance e garantir que mais crianças tenham acesso ao cuidado, ao desenvolvimento e às oportunidades”, conclui Zenilda.






























