Aplicativo TikTok é bloqueado na Itália após morte de criança de 10 anos

Rede social tem 100 milhões de usuários na Europa. Foto/Reprodução

EL PAÍS — O governo italiano bloqueou o aplicativo TikTok depois de uma criança morrer por asfixia, enquanto fazia um vídeo para o aplicativo.

Antonella Sicomero tinha 10 anos e morava em Palermo com seus pais e sua irmã mais nova. Na tarde da última quinta-feira, a criança foi ao banheiro sozinha e levou o celular. 
Após um tempo, sua irmã a encontrou, enforcada com a faixa de um roupão do toalheiro. Antonella tinha três contas em redes sociais e era especialmente ativa na rede social chinesa TikTok
Os pais levaram Antonella até o hospital pediátrico Di Cristina, em Palermo, mas ela entrou em coma e não sobreviveu.

A polícia suspeita se tratar de um desses desafios macabros que circulam de vez em quando nesse tipo de rede, o “Blackout Challege” (“desafio do apagão”), que consiste em comprovar quem é capaz de ficar sem respirar por mais tempo. 

A absurda iniciativa teria causado um desmaio e, mais tarde, um coma na menina. 

Ao saber do caso, a garantia da proteção de dados e da privacidade da Itália decidiu agir imediatamente e ordenou o bloqueio da rede social chinesa em todo o país, até 15 de fevereiro, de usuários cuja idade não possa ser verificada – o que, na prática, inclui todos os 8 milhões de inscritos no país.

O GPDP (órgão de proteção de dados italiano) entende que o TikTok precisa demonstrar que é capaz de comprovar a idade de quem tem perfis na rede social, a fim de cumprir a lei local. 

Na Itália , os aplicativos precisam de consentimento explícito dos pais para crianças menores de 14 anos, mas como na maioria das redes sociais, não exige nenhum documento e não inclui nenhum sistema que permita comprovar a veracidade da informação.

De acordo com as regras do TikTok, menores de 14 anos não podem ter perfis. Na prática, porém, a checagem não acontece, o que garante o sucesso do aplicativo entre crianças.

A agência italiana já havia aberto um caso contra o TikTok em dezembro de 2019, por não proteger menores de idade. Pelo mesmo motivo, o aplicativo foi multado há dois anos nos EUA. 
O TikTok diz ter removido 104 milhões de vídeos com conteúdo considerado impróprio no primeiro semestre de 2020.
A rede social, que tem 100 milhões de usuários na Europa, emitiu um comunicado ao saber do ocorrido: 
“A segurança da comunidade TikTok é nossa máxima prioridade, estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar em toda a investigação”.

O Ministério Público italiano investiga a possibilidade de “incitação ao suicídio” na rede social. Os detetives apreenderam o telefone celular de Antonella e querem descobrir se alguém a incentivou a fazer o desafio.

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