A economia brasileira manteve a trajetória de estabilidade com viés de alta, crescendo 0,1% na passagem de março para abril de 2026. Na comparação interanual, com abril de 2025, o avanço foi de 1,8%.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Monitor do PIB da FGV (Fundação Getulio Vargas), destacam a capacidade de resiliência do setor produtivo frente a obstáculos severos, como a política monetária restritiva de juros altos e a volatilidade dos preços do barril de petróleo no mercado internacional.
Segundo Juliana Trece, coordenadora da pesquisa no Ibre/FGV, a maioria dos componentes econômicos apresentou desempenho positivo no período. “A economia mostra estabilidade em meio ao cenário de juros elevados e ao aumento do preço do barril do petróleo, que sofre as consequências diretas dos conflitos no Oriente Médio”, pontuou a economista.
Fatores macroeconômicos: Juros e Petróleo
O cenário de abril foi marcado pela Taxa Selic em patamar elevado (14,75% durante a maior parte do mês), como estratégia do Banco Central para conter a inflação. O recente corte de 0,25 p.p., que situou a taxa em 14,25% na última quarta-feira (17), reflete a cautela do regulador diante das pressões externas. A guerra no Irã elevou os custos globais da energia, impactando diretamente os preços dos combustíveis no Brasil, o que forçou o governo a adotar medidas como cortes de tributos e subsídios para evitar uma aceleração inflacionária mais acentuada.
Desempenho dos setores
O Monitor do PIB identificou pontos de fortalecimento importantes na economia nacional:
- Consumo das famílias: Cresceu 2,6% no trimestre móvel terminado em abril na comparação anual, o melhor desempenho desde fevereiro de 2025.
- Exportações: Registraram uma alta expressiva de 9,3%, impulsionadas fortemente pelo setor de indústria extrativa, que cresceu 27,8% no mesmo período.
- Investimentos (FBCF): Após quatro trimestres móveis de retração, o indicador que mede a compra de máquinas e equipamentos apresentou uma expansão de 0,7%, sinalizando um início de retomada na formação de capital fixo. A taxa de investimento da economia em abril ficou estimada em 18%.
Panorama comparativo
O estudo da FGV atua como um termômetro antecipado para a atividade econômica. Na última quarta-feira (17), o IBC-Br do Banco Central — outro importante indicador — já havia sinalizado expansão de 0,5% na mesma base mensal.
Vale ressaltar que os valores correntes da economia brasileira acumulados até abril atingiram a marca estimada de R$ 4,376 trilhões. O resultado oficial do PIB brasileiro, calculado trimestralmente pelo IBGE, teve alta de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, com o próximo balanço oficial previsto para ser divulgado no dia 1º de setembro.

















