O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte instabilidade, marcando uma das piores semanas da história recente para os ativos domésticos.
Impactado pelas repercussões da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ausência de clareza sobre a política econômica do novo mandato, o dólar acumulou um salto de mais de 9% na semana, enquanto a Bolsa de Valores registrou sua queda mais aguda desde o choque inicial da pandemia em 2020.
Agências como a Fitch Ratings apontaram que a manutenção de gastos sociais sem clareza de receitas e a relação com o Congresso elevam o risco de insustentabilidade da dívida pública, que já chega a R$ 11 trilhões.
Na sessão desta sexta-feira (30), a moeda norte-americana avançou 1,09%, fechando cotada a R$ 5,446 — o maior valor de encerramento de 2026. O movimento consolidou uma valorização semanal de 9,15%, patamar não visto desde o ápice da crise financeira global em outubro de 2008.
Além da reprecificação de riscos políticos e da espera pela definição da nova equipe econômica, a pressão sobre o câmbio foi acentuada pela formação da taxa Ptax de fim de mês e pela tradicional busca por proteção antes do feriado prolongado de Finados.
O mercado acionário refletiu o mesmo nível de cautela. O Ibovespa recuou 0,75% na sexta-feira, parando nos 167.921,80 pontos e engatando o quinto pregão consecutivo no vermelho. A desvalorização semanal de 18,12% rivaliza com o tombo histórico de março de 2020.
O nível de estresse foi evidenciado logo no primeiro pregão pós-eleição, quando o mecanismo de circuit breaker precisou ser acionado para interromper as negociações. Dados da B3 confirmam o movimento de fuga de capitais, apontando a saída líquida de R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros em apenas três dias.
O ambiente de aversão ao risco no Brasil encontrou eco em um cenário externo igualmente desfavorável. Investidores globais reduziram a exposição a mercados emergentes diante de frustrações com os resultados trimestrais de gigantes de tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos.
O índice S&P 500 caiu 1,82% em Wall Street, ampliando a pressão sobre as bolsas mundiais em meio a preocupações persistentes com a inflação e a manutenção de juros altos nas economias desenvolvidas.
*Com informações da Reuters






