O senador Flávio Bolsonaro anunciou, em transmissão ao vivo na noite desta sexta-feira (30), que deixou o Brasil com sua família após ser alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinava a apreensão de seus passaportes e o proibia de sair do país.
Segundo o parlamentar, a intimação ocorreu logo após o anúncio do resultado das eleições, momento em que visitava seu pai, que cumpre prisão domiciliar. Do exterior, Flávio afirmou que atuará na oposição e defendeu a eleição do senador Rogério Marinho para a presidência do Senado como forma de resistência ao novo governo.
Na live, Flávio relatou que a notificação da Polícia Federal aconteceu na porta da residência de seu pai ao final de uma visita de 30 minutos. O senador classificou a ação como o início de uma “perseguição” e afirmou que o Brasil vive atualmente um “regime de exceção”. Ele destacou que a decisão de sair do país, tomada em conjunto com sua esposa Fernanda, visa garantir sua liberdade de manifestação.
O parlamentar também mencionou a situação de sua família, ressaltando que seu pai está preso “sem ter cometido nenhum crime” e que seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, já se encontra exilado nos Estados Unidos.
No campo político, Flávio Bolsonaro orientou sua base a focar no Congresso Nacional. Ele declarou apoio enfático a Rogério Marinho para o comando do Senado Federal, argumentando que esta é a única maneira de criar uma barreira institucional e “retardar o grande caos” que, segundo ele, será instaurado pelo atual presidente da República.
Veja a manifestação na íntegra:
“Boa noite para todo mundo. Começar uma live aqui muito rápida, só para, enfim, bater um papo com vocês, ouvirem aqui minha voz de novo e entenderem rapidamente, sem aprofundar muito, o que me levou a tomar essa decisão de estar aqui. Muita coisa tem sido dita por aí. […] Não está sendo fácil para a gente aqui, para a minha família. Pelo menos estou junto com a minha esposa, a Fernanda, e minhas duas filhas. Eu sei que, se eu estivesse no Brasil neste momento, não ia nem poder estar tendo esse contato com eles e nem conseguindo falar com vocês aqui. Aqui de fora, vou conseguir manifestar com um pouquinho mais de liberdade o pensamento de muita gente. Tenho certeza de que o inconformismo continua sendo gigantesco, a angústia e o luto de muita gente com o que aconteceu nessas eleições.
Queria rapidamente narrar o momento em que tomei a decisão de vir para cá junto com a minha família. Todos sabem que meu pai está em uma prisão domiciliar. Na segunda-feira após as eleições, voltei a ter autorização para visitá-lo por 30 minutos como advogado. Fui visitar meu pai pela última vez. Eu não sabia que ia ser a última vez. […] O fato é que, ao passarem os 30 minutos, uma pessoa bate na porta para avisar que o horário terminou. Quando veio me chamar, falou: ‘Flávio, o horário da visita acabou, mas tem um pessoal da Polícia Federal aqui na porta da casa do seu pai’. Eu olhei para ele e falei: ‘Pai, começou a perseguição’. Até um pouco antes do que eu imaginava, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de exceção.
Saindo da casa do meu pai, fui até o portão e fui intimado de uma decisão de Alexandre de Moraes, tomada poucos minutos após o anúncio pelo TSE do resultado das eleições, com a qual não concordo. […] A decisão era a apreensão dos meus passaportes e a vedação de eu sair do Brasil. Meu pai estava com os olhos marejados. Ele preso, sem ter cometido absolutamente nenhum crime, e um dos seus filhos, o Eduardo, já exilado nos Estados Unidos. Eu falei: ‘Pai, já sei. Deus está no comando de tudo. Estou preparado, vou enfrentar, agora sei o que tenho que fazer’. Voltei para casa, conversei com a minha esposa e tomamos a decisão juntos de sair do país para continuar, pelo menos, tendo uma voz ativa. Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil.
A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal, e a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado. Vamos cobrar dos senadores para que votem em Rogério Marinho. É a única forma de conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país. […] A luta continua, estamos aqui vivos, com voz ativa, para continuar lutando pelo nosso Brasil.”




























