Presidente do TSE diz que decisão de Zanin dificultou processo eleitoral; Flávio contesta resultado

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Ministro Kassio Nunes Marques apontou dificuldades operacionais causadas pela liminar do STF; candidato do PL contestou a medida e prometeu questionar juridicamente a validade do pleito.

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O encerramento da votação no segundo turno das Eleições 2026 foi marcado por forte tensão institucional e contestações públicas entre a Justiça Eleitoral, a Suprema Corte e a campanha derrotada.

Em coletiva de imprensa realizada após a totalização dos trabalhos, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h gerou “dificuldades para o processo eleitoral” e um cenário operacional atípico, uma vez que o comunicado oficial chegou quando seções em diversos estados já haviam sido encerradas no horário limite regimental das 17h.

Cristiano Zanin é ex-advogado pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva e atualmente ocupa o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi indicado por Lula para preencher a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski.

Zanin ganhou grande notoriedade nacional ao liderar a defesa jurídica de Lula durante as investigações e processos da Operação Lava Jato, sendo o responsável por traçar a estratégia que culminou na anulação das condenações do atual presidente pelo STF.

Manifestação do TSE

Segundo o presidente do TSE, a Corte Superior nunca havia registrado uma intervenção no horário regimental das urnas expedida diretamente pelo STF no momento exato do encerramento oficial da votação.

  1. A coligação do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva acionou a Justiça Eleitoral alegando prejuízo a eleitores devido a gargalos na oferta de transporte público em diversos municípios.
  2. Após o registro dos casos, a campanha de Lula recorreu ao TSE para solicitar a ampliação da votação até as 19h.
  3. Horas depois, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), também pediu a extensão do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
  4. Diante a inércia do presidente do TSE, que não decidiu a questão, o PT foi ao Supremo, e o ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário. Kassio Nunes Marques relatou que o descompasso exigiu reuniões de emergência e um alinhamento posterior com Zanin para ajustar que a extensão valesse apenas para seções que continuavam com filas abertas, evitando o cancelamento de boletins de urnas já lacradas.

Reação de Flávio Bolsonaro e contestação

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, criticou duramente a decisão expedida pelo ministro do STF e anunciou que a coligação ingressará com pedidos formais de anulação do pleito junto às instâncias superiores.

“O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. É inaceitável. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo. As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes estados. Eu nunca vou saber em estados que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, declarou o senador.

Desdobramentos Jurídicos

Especialistas em direito eleitoral avaliam que, para conseguir cancelar a eleição na Justiça, dependerá da capacidade da coligação postulante em comprovar matematicamente que a assimetria no horário de votação e o fechamento precoce de determinadas seções alteraram o resultado final da apuração. 

Com 100% das urnas totalizadas, o resultado final mostrou que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu 64.256.232 milhões dos votos válidos. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 59.826.041 milhões de votos. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 milhões de votos.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro venceu com uma diferença de 2.224.965 milhões de votos válidos.

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