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Motorista de ambulância assume Prefeitura após prefeito e vice serem afastados por corrupção

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Dilson Dalpiaz, que atua há 26 anos na Secretaria de Saúde dirigia o veículo de socorro quando soube da decisão judicial que afastou o Executivo municipal por esquema de corrupção.

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Um fato inusitado marcou a reviravolta política no município de Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí, na manhã desta terça-feira (6).

O motorista de ambulância e atual presidente da Câmara de Vereadores, Dilson Dalpiaz (PSD), dirigia o veículo de socorro da Secretaria de Saúde — onde atua há 26 anos — no momento exato em que foi informado de que teria que assumir o comando da Prefeitura Municipal.

A ascensão do servidor público ao cargo de chefe do Executivo ocorre em razão do afastamento imediato do prefeito Jorge Luiz Stolf (PL) e do vice-prefeito Rafael Nones (União Brasil), alvos de uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema bilionário de corrupção.

Posse burocrática e histórico na gestão pública

Dilson Dalpiaz está em seu quinto mandato como vereador na cidade de pouco mais de 11 mil habitantes e exerce a presidência do Legislativo municipal. Embora já tenha ocupado a cadeira de prefeito interinamente durante períodos de férias dos gestores, a situação atual é inédita.

Diante da impossibilidade simultânea do prefeito e do vice, a legislação determina a posse do presidente da Câmara.

Na tarde desta terça-feira, o Poder Legislativo concluiu os trâmites burocráticos de posse, sem solenidades formais, mediante apenas a assinatura de documentos oficiais. Com a mudança, o primeiro-secretário da Mesa Diretora assumiu a presidência da Câmara.

Entenda a Operação “Passe de Mágica”

A Operação “Passe de Mágica”, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (6), apura crimes de fraude em licitações de obras, lavagem de capitais e corrupção. As investigações começaram em 2025 e duraram cerca de 15 meses.

  • Mandados de busca: Foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio dos Cedros, Timbó e Blumenau. Conforme o inquérito, as irregularidades concentravam-se na administração de Rio dos Cedros.
  • Bloqueio de R$ 34,6 milhões: A Justiça determinou o sequestro de 26 imóveis, a suspensão de contratos e pagamentos a empresas investigadas, a proibição de contato entre os suspeitos e o bloqueio de bens e valores de até R$ 34,6 milhões.
  • Esquema de especulação: De acordo com a Polícia Civil, o grupo comprava imóveis em nome de terceiros (laranjas) para posteriormente valorizá-los com intervenções e obras do próprio poder público, além de direcionar licitações e ocultar dinheiro em espécie com uso de empresas de fachada.

Além do prefeito e do vice, uma secretária municipal também foi afastada das funções públicas por ordem judicial.

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