Acusada de matar grávida confessa e dá detalhes sobre o crime

Policial disse que “nunca viu uma pessoa cometer um crime de forma tão fria em 15 anos de trabalho”. 

O julgamento da acusada de matar uma grávida para roubar a bebê do ventre dela em Canelinha, na Grande Florianópolis, começou por volta das 8h40 desta quarta-feira (24), na Câmara de Vereadores de Tijucas, na cidade da mesma região.

A ré usou um estilete para abrir a barriga da vítima e retirar a criança. Laudo apontou que jovem ainda estava viva quando teve barriga cortada. O parecer também apontou múltiplos ferimentos na cabeça e no pescoço, além de lesão aparente de defesa nos braços.

O caso ocorreu em 27 de agosto do ano passado e, desde então, a ré permanece detida. Em depoimento no julgamento, conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ela relatou como planejou o crime.

Vítima estava no final da gravidez quando foi morta. Foto: Arquivo

FRIEZA

A primeira testemunha ouvida foi um policial que participou das investigações. Ele disse que a ré chegou a pesquisar na internet e com amigas, que já haviam sido mães, como seriam os exames para comprovar o parto e forjar provas. Além disso, ela teria enganado uma amiga, que já tinha filhos, para conseguir dados para fraudar a carterinha de gestante. 

O homem afirmou, ainda, que a acusada tentou por várias vezes dificultar as investigações e induzir a polícia a erros. Ao fim do testemunho, o policial disse que “nunca viu uma pessoa cometer um crime de forma tão fria em 15 anos de trabalho”. 

Também foram ouvidos dois médicos que atenderam a acusada e o bebê no dia do crime, no hospital. Um deles, inclusive, foi quem acionou a polícia após perceber os ferimentos na criança, causados durante a retirada dela do ventre da vítima. 

Outras duas amigas da grávida também prestaram depoimento. Uma delas disse que a mulher chegou a presentear a ré com uma tiara, que seria para a suposta filha da amiga.

Já o viúvo da vítima começou seu depoimento por volta das 16h. Ele disse que, no dia do assassinato, a esposa se preparava para o chá de bebê e comentou que “nem o marido nem a mãe poderia falar que sabiam da surpresa”. 

CONFISSÃO

A ré começou a ser ouvida por volta das 17h20. Ela confessou ter matado a professora de 24 anos, que estava no oitavo mês de gravidez, para ficar com a criança. Em depoimento, ela também admitiu ter planejado tudo sozinha.

Ela disse à Justiça que pesquisou na internet sobre parto e gravidez, para simular os sintomas. Também disse como planejou o crime, com o chá de bebê surpresa para a emboscada.

Corpo de mulher grávida foi encontrado em cerâmica desativada. Foto: Mayara Vieira/ NSC

Afirmou ainda que o lugar do ataque foi escolhido por estar abandonado e ter tijolos para atingir a cabeça da vítima.

Ao ser interrogada, em seguida, pelo MPSC, a ré disse que estudou pelo celular como tirar o bebê do ventre da mãe e se disse “capacitada” para fazer o que fez.

Ela também foi questionada pelas próprias advogadas de defesa. A elas, disse que matou a vítima para retirar a neném da barriga dela e que se arrependeu do crime após ser presa.

A mulher responde por feminicídio, tentativa de homicídio, ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pois há risco que se chegue, assim, à identidade da bebê, que tem o direito à preservação de sua identificação garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).