Anvisa pede proteção policial à servidores após receber novas intimidações

Agência diz que servidores estão sendo alvos de ações covardes e criminosas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota neste domingo (19), solicitando novamente proteção policial aos membros da entidade que participaram da aprovação da aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

Tais solicitações já haviam sido feitas no último mês de novembro quando a Agência recebeu as primeiras ameaças.    

A Anvisa está dando ciência dessas atividades criminosas às autoridades, entre elas a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República e ao Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

 “A Agência manifesta grande preocupação em relação à segurança do seu corpo funcional, tendo em vista o grande número de servidores da Anvisa espalhados por todo o Brasil.  Não é possível afastar neste momento que tais servidores sejam alvo de ações covardes e criminosas”, diz a nota.    

A Anvisa informa ainda que não publicará os anexos que materializam as ameaças recebidas para não expor os dados pessoais dos envolvidos, no entanto, todas as informações foram encaminhadas às autoridades responsáveis.   

No ofício, encaminhado à Antônio Augusto Brandão de Aras, Procurador-Geral da República, a Agência cita o presidente Jair Bolsonaro, que comunicou pela imprensa que pediu extraoficialmente o nome das pessoas na ANVISA que realizaram a aprovação da vacinação em crianças, para fins de sua divulgação para a sociedade.

Após a declaração do Presidente da República, os servidores foram surpreendidos com publicações nas mídias sociais na “internet” de ameaças, intimidações e ofensas por conta da referida decisão técnica da Agência.

Esses fatos aumentaram a preocupação e o receio dos Diretores e servidores quanto à sua integridade física e de suas famílias e geraram evidente apreensão de que atos de violência possam ocorrer a qualquer momento.

No sábado (18), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que a decisão do governo em vacinar crianças de 5 a 11 anos será tomada no dia 5 de janeiro, após audiência pública a ser realizada no dia anterior.

Até o momento, o imunizante da Pfizer é o único liberado para aplicação em crianças e adolescentes no país. Na avaliação do ministro, só a autorização da Anvisa não é suficiente para que a vacinação seja colocada em prática.

Em outras ocasiões, o governo Bolsonaro já tentou barrar a vacinação de menores de 18 anos.

Apesar da liberação, o início da vacinação não pode ocorrer imediatamente porque o Ministério da Saúde ainda não solicitou a compra de doses específicas para a faixa etária. A previsão é imunizar 70 milhões de crianças.