PMs investigados por desaparecimento de morador são expulsos da corporação

Decisão foi assinada pelo governador Carlos Moisés e publicada no Diário Oficial.

Os policiais militares Eduardo Rosa de Amorim e Luiz Henrique Correa de Souza, foram expulsos da corporação, conforme medida publicada no Diário Oficial do Estado na segunda-feira (10), após decisão do governador Carlos Moisés .

Os dois policiais são investigados pelo desaparecimento de um morador de Laguna, Diego Bastos Scott, que visto foi pela última vez sendo colocado dentro de uma viatura da Polícia Militar de Santa Catarina, no dia 15 de janeiro de 2021.

Os militares já haviam sido afastados pelo Comando-Geral da PM e trabalhavam em áreas administrativas desde que o processo teve início. Os dois agentes chegaram a recorrer da decisão, mas não conseguiram reverter o resultado e o governador assinou a decisão pela expulsão.

O caso

No dia 15 de janeiro de 2020, os policiais atenderam a dois chamados na casa da família. A primeira foi pela manhã, após uma discussão entre Diego e o pai dele.

Na segunda ocorrência, a investigação da Polícia Civil mostrou que Diego teria agredido o pai com um soco no rosto. Os policiais foram chamados e um boletim de ocorrências por agressão leve foi registado.

No boletim de ocorrências os agentes informaram que o homem havia deixado o local e não estava presente no momento do flagrante, porém imagens de videomonitoramento da rua mostraram Diego entrando em uma viatura. Desde então não foi mais visto.

Imagens e versões

Quando o caso teve início, os policiais negaram que tiveram contato com Diego. No entanto, após descobrirem que imagens de monitoramento haviam flagrado a ação, eles mudaram a versão.

Os policiais, então, afirmaram que tinham levado o homem para a Estrada Geral da Praia do Gi, cerca de 8 quilômetros de distância de onde foi abordagem, e o deixado no local.

O local exato em que o homem foi deixado pelos policiais não foi informado.

A câmera utilizada no serviço e o tablet usado na ocorrência estavam desligados. O aparelho foi religado por volta das 17h28, quando os agentes públicos retornaram à residência da família e informaram que “ele não voltaria para incomodar naquele dia”, descreveu o Ministério Público de Santa Catarina.

Diego Bastos Scott até hoje continua desaparecido. Para a família, o pescador está morto.

Segundo a mãe, Maria da Graça Scott, de 71 anos, as discussões entre o filho e outros integrantes da casa eram comuns, principalmente quando ele usava drogas ou ingeria bebida alcóolica. Mas, mesmo depois de ser levado à delegacia ou ser preso, ele voltava para casa. 

“O que a gente sente, eu como mãe, e a gente conversa todo o dia aqui é, ‘será que ele sofreu?’ Porque morto ele está”, afirma a mãe de Scott, Maria da Graça. Ele também morava com o pai, a mulher e o filho de 6 anos.