Morreu na sexta-feira (6), no Hospital do Câncer de Cascavel, a menina Yasmin Amorim, de 12 anos. Yasmin enfrentava um neuroblastoma desde os cinco anos de idade e teve o tratamento gravemente comprometido após empresários desviarem R$ 2,5 milhões destinados à compra de medicamentos importados. A morte foi confirmada pela família após uma piora súbita em seu estado de saúde na madrugada.
Uma corrente de orações estava programada para ocorrer em frente à unidade hospitalar, mas a menina não resistiu ao avanço da enfermidade.
O Crime: Estelionato e interrupção do tratamento
A batalha judicial pelo tratamento de Yasmin culminou em 2024, quando a Justiça determinou que o Governo do Paraná custeasse o medicamento Danyelza, avaliado em R$ 2,5 milhões.
A empresa selecionada para a importação, no entanto, entregou apenas uma das 6 ampolas necessárias. Outro fármaco, o Leukine, também foi entregue parcialmente: das 60 caixas previstas, apenas 10 chegaram, além de versões genéricas.
A investigação da Polícia Civil revelou que os empresários responsáveis utilizaram a estrutura pública para obter vantagem indevida, deixando as contas bancárias das empresas vazias para evitar bloqueios judiciais. A demora causada pelo golpe permitiu que a doença, que estava em sua terceira recidiva, avançasse de forma irreversível. Durante os meses de espera pelo remédio, Yasmin precisou de morfina a cada hora para suportar dores intensas.
Condenação dos envolvidos
Em agosto de 2025, os empresários Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux foram presos e condenados a penas que somam mais de quatro anos de prisão em regime fechado. A juíza do caso destacou a gravidade das consequências, ressaltando que o crime não foi apenas financeiro, mas atentou contra a vida de uma paciente vulnerável.
O governo paranaense chegou a realizar uma nova compra emergencial, mas Yasmin não conseguiu concluir o protocolo de 2025 devido à fragilidade de sua saúde.
A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão e sustenta que ele não participou de nenhuma ação criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou.











