O Brasil fechou o ano de 2025 com um recorde negativo na segurança pública: 84.760 pessoas desapareceram no país, um aumento de 4,1% em relação ao ano anterior.
Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que a Política Nacional de Busca, criada em 2019, ainda não conseguiu frear a escalada do problema.
O Perfil do Desaparecimento
Os números revelam dinâmicas sociais complexas e recortes de gênero e idade que exigem atenção das autoridades:
- Público Geral: Homens representam 64% dos casos totais.
- Crianças e Adolescentes: Representam 28% do total (23.919 casos). Diferente do público adulto, aqui a maioria das vítimas (62%) são meninas.
- Localizações: Em 2025, 56.688 pessoas foram localizadas, uma alta de 51% desde 2020, refletindo melhorias na interoperabilidade entre órgãos.
Desafios e o “Mito das 24 Horas”
Especialistas alertam que o preconceito institucional ainda trava investigações. Um dos maiores erros é a crença de que é preciso esperar 24 ou 48 horas para registrar o desaparecimento. A busca deve ser imediata.
Além disso, a integração nacional “ainda engatinha”. Apenas 12 dos 27 estados estão totalmente integrados ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas criado em 2025. Sem uma base de dados biométricos unificada, a identificação de corpos e a localização de pessoas em outros estados tornam-se processos lentos e burocráticos.
Fatores que explicam os números:
Fim da Pandemia: A queda nos anos de 2020/2021 foi artificial, causada pela dificuldade de acesso às delegacias durante o isolamento.
Crimes Ocultos: Muitos desaparecimentos são, na verdade, feminicídios, ocultação de cadáveres ou tráfico de pessoas.
Subnotificação: Grupos vulneráveis, como indígenas e pessoas em situação de rua, raramente têm seus desaparecimentos registrados.










