A médica e cirurgiã-geral Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi morta a tiros durante uma abordagem da Polícia Militar em Cascadura, Zona Norte do Rio, neste domingo (15). Segundo relatos preliminares e manifestação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o carro da médica — uma mulher negra com 28 anos de atuação na saúde pública — teria sido confundido com o de criminosos que atuam na região.
Segundo moradores, Andréa tinha acabado de sair da casa dos pais quando foi baleada dentro de um carro modelo Corolla.
A Polícia Militar informou que os policiais militares que participaram da ação foram afastados preventivamente das ruas até a conclusão das investigações.
As armas dos agentes e as câmeras corporais foram apreendidas, e uma perícia complementar foi realizada no veículo da vítima nesta segunda-feira (16). A Secretaria de Estado de Polícia Militar instaurou um procedimento investigativo.
Imagens mostram o momento em que os policiais abordam o veículo da médica e chegam a bater com fuzil na porta da motorista. Ao abrirem a porta, os agentes encontraram Andréa já sem vida dentro do carro.
Uma testemunha gravou o momento em que o carro da médica é cercado pelos agentes: “Desce irmão, vai morrer! Vai morrer, irmão, desce!”, gritou agente.
O caso gerou forte indignação nacional. A ministra Anielle Franco questionou a eficácia das políticas de segurança pública e a reiteração da violência contra pessoas negras. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu as investigações e já apreendeu as armas dos militares envolvidos.
Andréa era uma referência no cuidado com a saúde da mulher, e sua trajetória acadêmica e profissional foi exaltada como um símbolo de resistência que acabou interrompido de forma trágica.





















