Quase 10 anos depois de abandonar o filho para a morte em Santa Cecília, mulher é condenada por homicídio

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Durante o período de espera da comunidade por uma resposta, todos os Promotores de Justiça que passaram pela comarca batalharam para que a mulher fosse submetida ao Tribunal do Júri.

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No início de 2017, moradores de Santa Cecília, no Meio-Oeste, encontraram um bebê morto em um terreno baldio. As investigações revelaram que ele havia sido abandonado no local pela própria mãe logo após nascer.

A mulher foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por homicídio, qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima, pois esta não tinha qualquer possibilidade de se salvar. 

Durante vários anos a comunidade esperou por uma resposta, tendo que conviver com a sensação de impunidade. Nesse contexto, todos os Promotores de Justiça do MPSC que passaram pela comarca ao longo do período batalharam para que a mulher fosse submetida ao Tribunal do Júri pelo crime. 

O julgamento finalmente aconteceu na última quinta-feira (11/6). Coube ao Promotor de Justiça Rafael Scur do Nascimento, que chegou a Santa Cecília há três meses, o papel de sustentar a acusação e pedir a condenação da ré. A decisão final coube aos jurados, que afastaram a qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima e reconheceram a prática de homicídio simples. 

O fato de a ré ter confessado o crime atenuou a pena, que, por fim, foi fixada em seis anos de prisão em regime semiaberto. Ela ganhou o direito de recorrer da sentença em liberdade. Vale ressaltar que os laudos periciais excluíram a possibilidade de o crime ter sido cometido durante o estado puerperal, condição relacionada às alterações físicas e psíquicas que podem ocorrer após o parto e que, em determinadas situações, comprometem a capacidade de discernimento da mulher. 

O Promotor de Justiça Rafael Scur do Nascimento destaca que a condenação representa uma resposta à sociedade após anos de espera.

“O resultado alcançado reflete o trabalho de todos os Promotores de Justiça que atuaram no caso ao longo desse período, sempre com o objetivo de levar os fatos ao conhecimento do Tribunal do Júri e buscar a aplicação da lei”, conclui.  

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