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Operação Mensageiro: Justiça aceita denúncia e ex-agente político vira réu

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Acusados são réus por fraudar licitação de iluminação pública em 2022; minuta do edital teria sido fornecida pela própria empresa vencedora.

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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) aceitou, nesta quinta-feira (30), a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no âmbito da Operação Mensageiro, referente a crimes licitatórios cometidos no município de Corupá. A decisão foi tomada por unanimidade pelos magistrados da 5ª Câmara Criminal.

Com o recebimento do pedido elaborado pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, três investigados — um ex-agente político da cidade e duas pessoas ligadas à empresa privada — passam a figurar oficialmente como réus em ação penal. Eles são acusados por frustrar e fraudar o caráter competitivo de processo licitatório para obter vantagem.

Minuta de edital sob encomenda

O caso específico envolve uma licitação para a manutenção da rede de iluminação pública de Corupá realizada em 2022. Conforme as investigações do MPSC, a minuta do edital foi fornecida aos agentes públicos pela própria empresa interessada, contendo cláusulas técnicas restritivas desenhadas para beneficiá-la e barrar concorrentes.

Com a colaboração do ex-agente político, o texto com os direcionamentos foi utilizado no certame, resultando na desclassificação da única empresa concorrente. O contrato com o grupo investigado foi assinado e mantido ativo até o início de 2024.

Histórico da Operação Mensageiro

Considerada a maior ofensiva contra a corrupção na história de Santa Catarina, a Operação Mensageiro completou três anos de deflagração em dezembro de 2025. Conduzida pelo MPSC com apoio do GEAC e do GAECO, a apuração desmantelou uma organização criminosa liderada por um grupo empresarial do setor de saneamento, lixo e iluminação pública que pagava propinas a prefeitos e gestores municipais em dezenas de cidades catarinenses.

O esquema veio à tona originalmente em 2021, durante desdobramentos da Operação Et Pater Filium no Planalto Norte, após um ex-prefeito assinar acordo de delação premiada e revelar o modus operandi da quadrilha. Em agosto de 2025, a Mensageiro alcançou sua sexta fase.

A decisão que tornou os investigados de Corupá réus é passível de recurso.

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