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Fazendeiro que manteve idosos em escravidão no Paraná é professor e ex-presidente de cooperativa

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Elton Lange, investigado por manter um casal de idosos em condições degradantes por 20 anos em Guarapuava, recebe quase R$ 20 mil mensais do Estado.

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O fazendeiro Elton Lange, identificado como o empregador que manteve um casal de idosos em condições análogas à escravidão por 20 anos em Guarapuava, na região central do Paraná, atua como professor concursado da rede pública estadual de ensino e ocupava o cargo de diretor-presidente de uma cooperativa agroindustrial da região.

O caso foi descoberto durante uma operação de fiscalização da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na localidade de Combrão, às margens da rodovia PR-170.

Os agentes federais resgataram um idoso de 84 anos e sua esposa, de 66 anos, que viviam em um paiol de madeira adaptado e improvisado, com o banheiro e o chuveiro instalados do lado externo da habitação. De acordo com o relatório dos auditores-fiscais, a edificação apresentava frestas nas paredes, estrutura apodrecida e iminente risco de desabamento ou incêndio. O espaço foi totalmente interditado pelas autoridades trabalhistas devido à insalubridade.

MTE resgata idosos de paiol em Guarapuava; fazendeiro pagará R$ 70 mil de indenização — Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)

As vítimas não dispunham de água encanada no local e dependiam da ajuda de terceiros para conseguir alimentos, uma vez que a idade avançada dificultava o deslocamento até o centro urbano de Guarapuava.

O idoso exercia funções de trabalhador rural na fazenda sem qualquer registro em carteira de trabalho, sem o recebimento de décimo terceiro salário, férias remuneradas ou o piso salarial regional. Após a autuação em flagrante, o fazendeiro firmou um acordo legal para o pagamento de R$ 70 mil a título de verbas rescisórias e indenizações por danos morais ao casal.

Remuneração do Estado e atuação em cooperativa

Dados obtidos junto ao Portal da Transparência do Governo do Paraná revelam que Elton Lange é servidor público concursado desde o ano de 2003 e chegou a exercer o cargo de diretor escolar recentemente. Atualmente, ele recebe uma remuneração bruta mensal de quase R$ 20 doze salários mínimos (cerca de R$ 20 mil) para lecionar em duas unidades de ensino: o Colégio Estadual Professor Pedro Carli, no bairro Vila Bela, e a Escola Estadual Cesar Stange, no bairro Boqueirão.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) foi formalmente questionada sobre a disciplina lecionada pelo servidor e sobre o seu afastamento ou permanência fora das salas de aula após o resgate das vítimas, mas a pasta estadual se recusou a fornecer os detalhes solicitados.

Além do cargo no funcionalismo público, o investigado possui trânsito no setor produtivo do município. Ele exerceu o cargo de diretor-presidente da Cooperativa Agropecuária Mista de Guarapuava (Coamig) durante a gestão iniciada em 2023, tendo deixado o comando da entidade em março deste ano. A Coamig atua no fortalecimento de projetos voltados à agricultura familiar.

Posicionamento da entidade e assistência às vítimas

Por meio de nota oficial divulgada em suas redes sociais, a Coamig informou que tomou conhecimento das acusações por intermédio dos veículos de imprensa e enfatizou que repudia práticas que violem os direitos trabalhistas ou a dignidade humana.

A cooperativa ressaltou que a situação apurada pela fiscalização do MTE não guarda nenhuma relação com as operações, unidades, colaboradores ou cooperados da instituição, tratando-se de um episódio restrito à esfera da vida particular do fazendeiro.

De acordo com o coordenador da operação e auditor-fiscal do trabalho, José Luiz Queiroz, o casal de idosos recebeu atendimento imediato das equipes de assistência social da Prefeitura de Guarapuava. Os dois foram encaminhados e acolhidos na residência de um dos filhos, que passou a infância e a juventude no mesmo local de confinamento dos pais antes de se mudar para a área urbana da cidade.

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