Os tradicionais orelhões, que fazem parte da paisagem urbana brasileira desde 1972, já têm data para a “aposentadoria” definitiva: o final de 2028. O processo de extinção gradual foi acelerado após o término dos contratos de concessão de telefonia fixa, ocorrido em dezembro de 2025. A rede, que já teve mais de 1,5 milhão de terminais, era mantida por concessionárias de telefonia fixa.
Por que eles vão sumir?
Com o fim das concessões, as operadoras (como Oi, Vivo e Claro) migraram para um regime de autorização privada. Nesse novo modelo, a manutenção dos telefones públicos deixa de ser uma contrapartida obrigatória, permitindo que as empresas foquem investimentos em banda larga, fibra óptica e tecnologia 4G/5G.
O que acontece agora?
- Desligamento imediato: Vivo, Algar e Claro devem desligar a maior parte de suas redes ainda este ano.
- Sobreviventes: Cerca de 9 mil aparelhos permanecerão ativos apenas em locais onde não existe sinal de celular 4G.
- Prazo final: Todas as empresas se comprometeram a manter a oferta de voz (incluindo orelhões em áreas isoladas) apenas até 31 de dezembro de 2028.
Troca por conectividade
Em troca do fim da obrigação de manter os orelhões, as operadoras assumiram compromissos de expansão de infraestrutura, como a instalação de antenas em áreas rurais, conexão de escolas públicas e construção de data centers. Atualmente, a Oi é a empresa que ainda mantém a maior base ativa, com cerca de 6.700 unidades.
👂O orelhão
Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000.
Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa. Foi ali, ao ouvir o clássico “chamada a cobrar”, que muita gente esperava ansiosa até cair a ficha — literalmente — para completar a ligação.
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa.
Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.
Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegia quem falava do barulho externo.











