O cenário internacional entrou em colapso na madrugada deste sábado (3) após um ataque militar de grande escala realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. O alvo principal foi a capital, Caracas, onde moradores relataram explosões e o intenso barulho de aeronaves sobrevoando bairros residenciais.
Sofia Salazar, uma venezuelana que viveu no Brasil (Fortaleza) por seis anos e retornou ao seu país em dezembro de 2025, descreveu o clima de terror. Mesmo morando no estado de Monagas, distante da capital, o impacto foi imediato.
“Fomos acordados com a notícia de que a capital estava sendo atacada. Por enquanto, aqui está tranquilo, mas as pessoas já correram para os supermercados. Ninguém sabe se vai faltar comida ou o que vai acontecer amanhã. As filas estão enormes”, relatou Sofia.
Incerteza e desabastecimento
“Esta é uma ilha em que praticamente toda a comida vem de importação. Por isso há preocupação pelo que pode acontecer, de que a comida possa faltar”, relata Daniella Zambrano, correspondente da CNN em território venezuelano.
Vídeos registrados por moradores mostram filas quilométricas em frente a estabelecimentos comerciais. Os supermercados estão controlando a entrada de clientes, e itens básicos de higiene e padaria são os mais procurados. O medo de que as fronteiras e o comércio sejam fechados nos próximos dias domina a população.
O medo de expressar opiniões políticas também é evidente entre os venezuelanos. “Há muito medo em Caracas de expressar os sentimentos pelo que acontece no país. Por quê? Porque no ano passado, depois das eleições presidenciais, mais de 2 mil pessoas foram presas”, explica Zambrano. Ainda assim, quando questionados reservadamente, muitos cidadãos afirmam que “isto é o que estavam esperando, uma mudança de governo na Venezuela”.

Inflação
A inflação na Venezuela em 2025 permaneceu altíssima, com projeções apontando para taxas elevadas, como 221% em estudos de abril, enquanto outros dados mostravam o acumulado anual em cerca de 530% em dezembro, indicando um retorno a um cenário de hiperinflação, impulsionado por sanções e desvalorização do bolívar, apesar do governo tentar mitigar com auxílios sociais e o Banco Central.









