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“Uma civilização inteira morrerá”: Trump ameaça destruir o Irã e gera onda de repúdio internacional

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Presidente dos EUA afirma que civilização inteira pode “morrer esta noite”; fala é classificada por especialistas como uma ameaça explícita de genocídio.

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Em uma escalada sem precedentes nas tensões no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (07) que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz. A fala, que sugere o extermínio da nação iraniana, foi recebida com alarme pela comunidade internacional e classificada por especialistas como uma ameaça explícita de genocídio.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. No entanto, juristas e acadêmicos reforçam que a resposta militar prometida por Trump é desproporcional e fere os princípios básicos do Direito Internacional, que proíbem ataques contra populações civis e infraestruturas não militares.

O enviado iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, afirmou nesta terça-feira (7) que Teerã não ficará de braços cruzados se Trump cumprir as ameaças de “crimes de guerra”.

“O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, disse ele.

Violação de Tratados Internacionais

Segundo o professor de direito internacional da Unila, Gustavo Vieira, as declarações de Trump afrontam o Estatuto do Tribunal Penal Internacional e a Convenção de Genebra. “Isso é uma ameaça de um crime de genocídio e de guerra. O legado dessa postura é uma preocupação global que pode levar a uma corrida armamentista desenfreada”, avaliou.

Para a professora Elaini Silva (PUC-SP), a ameaça de extermínio configura “a imagem da barbárie” e pode gerar responsabilidade pessoal direta dos governantes perante tribunais internacionais, por violar a Carta da ONU.

Impacto Cultural e Nacionalismo

Além do risco humano, a destruição do patrimônio histórico preocupa órgãos globais. A Unesco estima que cerca de 160 monumentos históricos já tenham sido danificados ou destruídos por ataques recentes.

Para especialistas em Oriente Médio, as ameaças de “devolver o Irã à idade das pedras” tendem a surtir o efeito oposto ao desejado por Washington:

  • Fortalecimento do Regime: A retórica de humilhação nacional une a população em torno da soberania do país.
  • Identidade Nacional: Com mais de 2,5 mil anos de história, a civilização persa possui uma consciência nacional resiliente a pressões externas.

Até o momento, a Casa Branca não recuou das declarações, mantendo o mundo em alerta para uma possível deflagração de conflito em larga escala nas próximas horas.

O presidente Donald Trump evitou responder diretamente se suas recentes ameaças ao Irã configuram a intenção de cometer crimes de guerra. Questionado na última segunda-feira (06) nos jardins da Casa Branca sobre o teor de suas declarações, o mandatário ignorou o profissional de imprensa. “O que mais?”, limitou-se a dizer, pedindo novas perguntas após ser interpelado se estaria se comprometendo com ações ilegais perante tribunais internacionais.

A postura de esquiva se repetiu em coletiva de imprensa, quando o jornal New York Times o questionou sobre a violação do direito internacional ao ameaçar infraestruturas civis e sítios culturais. Em resposta, Trump atacou a credibilidade do veículo e justificou a postura agressiva como uma medida para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Contradições na Inteligência e Retórica Religiosa

A justificativa nuclear utilizada por Trump, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio governo. Relatórios dos serviços de inteligência dos Estados Unidos indicam que Teerã não estava buscando o desenvolvimento desses armamentos no momento.

Em uma postagem recente, o presidente norte-americano demonstrou uma retórica contraditória que oscila entre o anúncio de um extermínio e o desejo de paz:

  • Previsão de Conflito: Trump afirmou que não deseja o genocídio, “mas provavelmente acontecerá”, classificando o momento atual como um dos mais importantes da história mundial.
  • Apelo Religioso: No mesmo comunicado em que prevê a destruição do país, o presidente finalizou pedindo que “Deus abençoe o grande povo do Irã”.

O que diz o Direito Internacional

Juristas reiteram que, independentemente da motivação estratégica ou nuclear, o Estatuto de Roma e as Convenções de Genebra proíbem estritamente ataques que visem a aniquilação de populações civis ou a destruição de patrimônio cultural da humanidade. A recusa de Trump em comentar esses limites legais aumenta a pressão de órgãos como a ONU por uma mediação urgente que evite o que o próprio presidente chamou de “fim de uma civilização”.

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