Um estudo recente da Universidade de Kaiserslautern-Landau, na Alemanha, aponta que o grau de toxicidade dos pesticidas aplicados no mundo aumentou significativamente entre 2013 e 2019. O Brasil, impulsionado pelas grandes culturas de soja, milho e algodão, destaca-se ao lado de China, EUA e Índia como um dos países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, dificultando o alcance das metas de preservação da biodiversidade estabelecidas na COP15.
A análise utilizou o indicador TAT (Toxicidade Total Aplicada), revelando que o impacto é altamente concentrado: apenas 20 substâncias respondem por mais de 90% da toxicidade em cada país.
Enquanto o risco para humanos e vertebrados terrestres teve uma leve queda (−0,5%), espécies vitais para o ecossistema estão em perigo crescente, como os artrópodes terrestres (+6,4% ao ano) e organismos do solo (+4,6% ao ano).
O desafio brasileiro e as metas da ONU
A meta da ONU prevê a redução de 50% dos riscos de pesticidas até 2030, mas o Brasil está na contramão dessa trajetória. Para atingir o objetivo, o país precisaria reverter padrões de uso consolidados há décadas e retornar aos níveis de toxicidade de 15 anos atrás.
Especialistas indicam que a solução passa pela expansão da agricultura orgânica e pela adoção de tecnologias de controle biológico e manejo de precisão.






