Neste domingo (12), cerca de 27 milhões de peruanos vão às urnas para tentar dar um fim à instabilidade política que assola o país. Com um número recorde de 35 candidatos na disputa presidencial, a eleição deve definir o décimo presidente do Peru em apenas 10 anos — reflexo de uma sucessão de renúncias e impeachments que derrubaram nomes como Pedro Castillo e Dina Boluarte nos últimos anos.
Além do Executivo, os eleitores escolherão 130 deputados e 60 senadores. O pleito marca a histórica reabertura do Senado peruano, fechado há 33 anos, retomando o sistema bicameral no país. A expectativa é que os primeiros resultados oficiais comecem a ser divulgados à meia-noite de hoje.
Cenário eleitoral e favoritismo
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera as intenções de voto com aproximadamente 15%. Apesar de ser a favorita para chegar ao segundo turno (marcado para 7 de junho), Keiko enfrenta uma rejeição de quase 50%, o que tem sido seu “teto” nas últimas três eleições, onde saiu derrotada.
A disputa pela segunda vaga no turno final é uma incógnita total. No campo da direita, destacam-se Rafael López Aliaga, o “Porky”, com discurso ultraconservador, e o humorista Carlos Álvarez. Já a esquerda aparece fragmentada, com nomes como o deputado Roberto Sánchez e o economista Alfonso López-Chau pontuando em torno de 5%.
Geopolítica: China x EUA
Especialistas apontam que o resultado peruano terá impacto direto na influência das superpotências na região. O Peru tornou-se um ponto estratégico com o porto de Chancay, que conecta o comércio sul-americano à Ásia. Enquanto candidatos de esquerda tendem a manter a abertura ao capital chinês, Keiko Fujimori sinaliza uma aproximação maior com os Estados Unidos e a política de Donald Trump, que busca conter o avanço comercial da China na América Latina.
Histórico de instabilidade
O novo presidente herdará um país onde o Congresso detém o “poder de fato”. Desde 2021, o Peru viu a prisão de Pedro Castillo e as quedas sucessivas de Dina Boluarte e José Jerí. Atualmente, o país é governado interinamente por José María Balcázar Zelada, eleito indiretamente pelo Parlamento após a última crise em fevereiro de 2026.






