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CadÚnico aponta quase 390 mil pessoas em situação de rua no Brasil; Santa Catarina tem nível intermediário

Levantamento aponta que o Sudeste concentra 60% dos casos do Brasil; São Paulo lidera ranking nacional e Roraima registra explosão de registros.

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O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) — principal banco de dados do governo federal utilizado para identificar e mapear as famílias de baixa renda e vulnerabilidade social — registrou, no fechamento do mês de maio, um total de 388.855 pessoas em situação de rua em todo o território nacional.

Os dados foram compilados e divulgados por meio de um levantamento estatístico minucioso realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG). No mapa da vulnerabilidade nacional, Santa Catarina aparece enquadrada na classificação de gravidade intermediária, ao lado de estados como Pernambuco, Goiás, Espírito Santo e Distrito Federal.

Sudeste concentra 6 em cada 10 desabrigados

A região Sudeste continua sendo o principal polo de atração e de crise social do país. De acordo com os pesquisadores da UFMG, seis em cada dez pessoas sujeitas a essas circunstâncias precárias de vida estão situadas na região. O fenômeno é um reflexo direto da migração em massa e da procura por oportunidades de trabalho associadas ao eixo econômico do país, que estruturalmente acaba não comportando devidamente quem chega às grandes cidades com esse propósito. O levantamento também traz um forte componente de desigualdade racial: sete em cada dez pessoas em situação de rua no Brasil são negras.

O estado de São Paulo continua liderando isolado o ranking nacional, contabilizando 159.290 pessoas sem teto. O contingente paulista é amplamente superior à soma do segundo e do terceiro colocados na lista: o Rio de Janeiro, com 35.406 pessoas, e Minas Gerais, com 34.849 registros.

Crescimento acelerado e desproporcional entre 2020 e 2025

O histórico recente revela que a crise se agravou severamente nos últimos cinco anos. Os três principais estados do Sudeste apresentaram curvas acentuadas de aumento no período de 2020 a 2025:

  • São Paulo: Praticamente duplicou o cenário, saltando de 83.074 para 150.958 pessoas (concentrando isoladamente 40% de todo o contingente nacional de 2025);
  • Rio de Janeiro: Avançou de 23.433 para 33.656 cidadãos nessas condições;
  • Minas Gerais: Registrou uma das maiores altas proporcionais, subindo de 14.304 para 33.139 desabrigados.

A concentração nas capitais e grandes regiões metropolitanas também é uma marca do levantamento. No Rio de Janeiro, a capital concentra 69,6% de toda a população de rua do estado. Em São Paulo, o índice de centralização na capital é de 67,2%, enquanto em Minas Gerais o percentual cai para 46,6%. No Nordeste, o Ceará segue a mesma cartilha: a capital Fortaleza concentra 11.349 pessoas de um total estadual de 14.171.

Explosão migratória na Região Norte

Outro destaque considerado altamente negativo pelos analistas da UFMG foi o estado de Roraima. Rompendo com o padrão de estabilidade observado em estados de menor porte populacional, os registros roraimenses explodiram, saltando de 2.537 para 10.520 pessoas nas ruas.

O principal fator que contribuiu para esse pico de vulnerabilidade na Região Norte foi a multiplicação de casos registrada entre os anos de 2022 e 2025, puxada de forma quase integral pela crise humanitária e habitacional na capital, Boa Vista. No município, a quantidade de pessoas sem moradia variou drasticamente de 2.484 para 10.497 no intervalo analisado.

Por fim, a pesquisa aponta quais são os territórios com os indicadores menos preocupantes em relação à presença de pessoas sem teto no país. Atualmente, os cinco estados com os menores índices de população de rua são Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí.

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