Óbitos de pacientes entre 30 e 39 anos aumentaram 352%, diz Fiocruz

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O número de casos, hospitalizações e mortes entre pessoas mais jovens cresce mais rápido do que em idosos.

O Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19, divulgado nesta sexta-feira (26), trás dados preocupantes.

Os pesquisadores observaram um aumento de casos, afetando faixas etárias de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos, o que sugere um deslocamento da pandemia para os mais jovens.

A nova edição do Boletim também alerta que, desde o início da pandemia os estudos científicos apontaram  a necessidade de vacinação da maior parte da população, em combinação com a adoção de medidas não-farmacológicas prolongadas.

Essas medidas envolvem distanciamento físico e social, uso de máscaras e higienização das mãos, com ações intermitentes de bloqueio (lockdown) com restrição da circulação e de todos os serviços não-essenciais quando as capacidades de cuidados intensivos fossem excedidas. 

“O ritmo lento em que se encontra a vacinação contribuí para prolongar a duração da pandemia e da adoção intermitente de medidas de contenção e mitigação”, ressaltam os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo Boletim.

Comparando com todos os países que tiveram mais de 100 mil óbitos por Covid-19 durante a pandemia (EUA, México, Índia, Reino Unido e Itália), o Brasil é o único país que neste momento ainda apresenta tendência crescente e contínua.

Os demais passaram a apresentar quedas nos números diários de óbitos a partir de janeiro de 2021.

REJUVENESCIMENTO DA PANDEMIA

O Boletim destaca que a pandemia ganhou novo contorno no Brasil, encontra-se rejuvenescida.

O número de casos, hospitalizações e mortes entre pessoas com menos de 60 anos cresce mais rápido do que em idosos.

O estudo mostra que houve um aumento importante de casos de Covid-19 nas faixas etárias de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos, conforme atestam dados mais recentes do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) no Brasil, observados nos primeiros meses de 2021.

Como consequência, a concentração de casos nas idades mais avançadas tem reduzido.

Os pesquisadores ressaltam que, desde o início da segunda onda, que compreende o período de 8 a 14 de novembro de 2020, tem se observado um aumento de procura de pacientes jovens sintomáticos nos serviços de saúde.

Este aumento foi maior que o verificado nas demais faixas etárias. A investigação chama atenção para o deslocamento da incidência para faixas mais jovens e a manutenção da mortalidade concentrada em faixas mais velhas.

Esta mudança ainda é inicial e contribui para o cenário crítico da ocupação dos leitos hospitalares.

Por se tratar de população mais jovem e com menos comorbidades – e, portanto, com evolução mais lenta dos casos graves e fatais, demanda frequentemente uma permanência por maior tempo em internação em terapia intensiva.

Os dados apresentados no Boletim mostram que, ao comparar a Semana Epidemiológica 1 de 2021 e a 10 (7 a 13 de março), foi verificado um aumento absoluto de casos em 316,88%.

No entanto, ao analisar as faixas etárias, pesquisadores observaram um aumento de casos de, respectivamente:

  • de 30 a 39 anos – 565,08%
  • de 40 a 49 anos – 626%
  • 50 a 59 anos – 525,93%

Para os óbitos, no entanto, essa relação é menos expressiva para este mesmo período:

A faixa de 30 a 39 anos teve aumento de 352,62%.

Houve incremento de 419,23% para a faixa de 40 a 49 anos e de 317,08% para a faixa de 50 a 59 anos. 

FONTE: AGÊNCIA FIOCRUZ

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