A Acadêmicos de Niterói é a escola rebaixada do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026. Em uma apuração tensa realizada nesta quarta-feira (18), a agremiação da região metropolitana não conseguiu sustentar as notas necessárias para permanecer na elite, perdendo pontos cruciais em quesitos como Evolução e Alegorias.
A escola, que subiu no ano passado, retornará à Série Ouro (grupo de acesso) no próximo Carnaval.
Crônica de um rebaixamento anunciado
A queda da escola foi pavimentada por uma combinação de falhas técnicas na Marquês de Sapucaí e um clima de insegurança jurídica nos bastidores.
- Caos na dispersão: No desfile de domingo (15), a escola viveu momentos dramáticos. Suas alegorias monumentais ficaram presas na saída da avenida, provocando um efeito cascata de atrasos. A correria para liberar a pista afetou a harmonia dos componentes e prejudicou diretamente a Imperatriz Leopoldinense, que entrou na avenida com o fluxo de saída ainda congestionado.
- A Batalha Judicial: O enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” transformou-se em um imbróglio jurídico. Foram ao menos dez representações no MP, TCU e TSE. Opositores alegavam propaganda eleitoral antecipada, já que o desfile exaltava a trajetória do atual presidente. Embora o TSE tenha permitido o desfile para evitar censura prévia, o alerta de punições posteriores pairou sobre a escola.
- Críticas religiosas: A ala “Neoconservadores em conserva”, que trazia figuras representando famílias tradicionais dentro de latas com adereços religiosos, gerou forte reação da bancada evangélica, que classificou a apresentação como um ataque à fé cristã.
O Enredo na Avenida
Apesar das notas baixas, a escola apresentou um desfile visualmente carregado de simbolismo político. A comissão de frente replicou a rampa do Palácio do Planalto, acompanhada por figuras que remetiam à sociedade civil e autoridades do STF.
O carro abre-alas retratou a infância de Lula no agreste pernambucano, enquanto outras alegorias fizeram críticas diretas à gestão de Jair Bolsonaro e à condução da pandemia, chegando a fazer referência ao período em que Lula esteve preso.

















