Presidente da Celesc explica reajuste da tarifa de energia

ALESC – O presidente das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Cleicio Poleto Martins, foi chamado para explicar à Comissão de Economia, Ciência e Tecnologia, na tarde desta terça-feira (25), o reajuste de 8,14% na tarifa de energia elétrica no Estado.

Martins disse que não havia o que fazer em função de obrigações legais cumpridas pela empresa, como a compra de energia de Itaipu, que tem o preço fixado em dólar. “Dos 8,14% de reajuste, apenas 0,54% é de responsabilidade da Celesc”, assegurou o dirigente.

Segundo Martins, o reajuste poderia ter sido maior, mas foi contido pelo repasse de R$ 583,2 milhões feito pela Celesc para a chamada Conta Covid, organizada pela Aneel para evitar reajustes maiores das tarifas. 

O presidente da Celesc também revelou que, embora a empresa esteja autorizada a cortar a energia por inadimplência, isso ainda não está sendo feito. “Estamos sensíveis às dificuldades deste momento.”  No entanto não se manifestou a respeito da notificação recebida pelo Procon para que suspenda o reajuste na tarifa de energia elétrica.

A deputada Ada de Luca (MDB) também ponderou a inoportunidade do aumento e dos cortes.

“Quero repudiar o aumento da tarifa da energia elétrica, da mesma forma repudiar o corte para os inadimplentes numa época de tanta desgraça”, declarou Ada, acrescentando que a Celesc pediu autorização à Aneel para reajustar a tarifa em 16%.

“O Procon determinou a suspensão do aumento, parabéns ao Procon, o consumidor numa época dessa já não tem dinheiro nem para comer”, enfatizou a deputada.

Distribuição de lucros
Os deputados criticaram a decisão da Celesc em distribuir lucros entre os diretores. Luiz Fernando Vampiro perguntou se esse valor poderia ser usado para diminuir o reajuste da tarifa. 
Maurício Eskudlark foi além. “Distribuição de lucros entre acionistas a gente entende. Agora, para os diretores…”, criticou.

Martins defendeu a distribuição e disse que isso é um estímulo a funcionários e diretores a buscarem um desempenho melhor. 

“É um prêmio do acionista quando a empresa entrega um resultado melhor do que estava no orçamento”, justificou. 
Segundo o dirigente, desde 1984 a Celesc gratifica seus funcionários, que tiveram a possibilidade de participação nos lucros depois da constituição de 1988. Para ele, é necessário fazer “menos politicagem e mais política, que é o diálogo democrático, republicano”.

Miotto rebateu Martins. “Nenhum deputado aqui faz politicagem. Que essa boa gestão possa servir para conter esse aumento”, reiterou o presidente da comissão.

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