Ministro diz que greve dos caminhoneiros foi um fracasso, \’mas deixou uma lição\’

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Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Foto: Alan Santos

Dados do Ministério da Infraestrutura e da Polícia Rodoviária Federal, que monitoraram o movimento nas estradas em todo o país, confirmam que a greve de caminhoneiros marcada para esta segunda-feira (1) teve pouca adesão.

Breves bloqueios parciais aconteceram em algumas localidades, como em um trecho da BR-304 próximo a Mossoró, no Rio Grande do Norte, sendo necessária a intervenção de policiais rodoviários federais para desobstrui-la.

Plínio Dias e outros caminhoneiros penduram faixas na Régis Bittencourt, em SP. Foto: Arquivo pessoal
Em Guapó, cidade do estado de Goiás, houve uma tentativa de bloqueio da BR 060 por volta do meio-dia, com manifestantes ateando fogo em pneus. Entretanto, PRF e bombeiros controlaram a situação e desobstruíram a via.
Em São Paulo, caminhoneiros interromperam no início da manhã o fluxo de duas faixas da Rodovia Castello Branco, na altura de Barueri, e protestaram contra o governador de São Paulo, João Doria.
Na Rodovia Régis Bittencourt, caminhoneiros penduraram faixas no domingo, no entanto, não houve mobilização nesta segunda-feira.

Grupo de caminhoneiros protesta na Rodovia Castello Branco. Foto: Felipe Pereira

 Em entrevista ao UOL, o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse que a convocação de greve para esta segunda-feira fracassou, mas deixou lições. 

Na avaliação do ministro, os caminhoneiros mostraram que estão ganhando maior consciência da realidade do mercado e que a tentativa de uso político do movimento acabou culminando com a baixa adesão: 

\”Eles sentiram o cheiro de uso político e isso foi decisivo para o afastamento dos caminhoneiros da greve\”, afirmou o ministro.

\”A primeira lição que tivemos hoje é que o caminhoneiro não se deixa enganar e sabe que não é qualquer liderança que o representa\”.

\”Existe uma dificuldade de representação orgânica, mas hoje ficou provado que não é qualquer um que se auto intitula líder dos caminhoneiros. Houve um chamamento de greve por parte de pessoas que não tinham liderança\”.

O ministro disse ainda que os poucos problemas de bloqueios relatados em algumas rodovias federais não foram feitos por caminhoneiros.

Questionado se poderia apontar os responsáveis pelas ações, o ministro disse que não conseguia, mas que poderia assegurar que \”não eram da categoria\” e que eram pessoas com interesse políticos. \”Foi diferente. Os caminhoneiros não aderiram\”.

PARALISAÇÃO FRACASSADA

Na sexta-feira (29), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), que diz reunir 800.000 motoristas autônomos, afirmou que iria participar da greve.

O Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) também havia confirmado, em nota, a paralisação dos caminhoneiros para esta segunda, caso as reivindicações da categoria não fossem atendidas.

O grupo sindical, que afirma ter 40 mil filiados em 22 estados brasileiros, divulgou vídeos nas redes sociais exibindo caminhões parados em estacionamentos à beira de estradas e de pequenos grupos de pessoas protestando em diferentes pontos do país.

Representantes das entidades que lideram o movimento alegam que parte dos caminhoneiros que aderiram à paralisação optou por permanecer em casa e, que por isso não houve grandes bloqueios ou congestionamentos em estradas, mas que o movimento deve ganhar força nos próximos dias.

Outras entidades, porém, já haviam se posicionado contra uma paralização neste momento. 

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) disse que que apesar das dificuldades dos caminhoneiros, este não é o momento ideal para uma greve, principalmente em virtude da delicada realidade que o país está passando. 
Ainda de acordo com a CNTA, o transporte rodoviário de cargas tem sido foco de diálogos e projetos constantes pelo Governo.

A Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também informou no fim da semana passada que não iria participar da paralisação. 

Segundo a associação, alguns grupos estão aproveitando o movimento de luta para garantia do cumprimento de leis da categoria e de redução de impostos de combustíveis, para incluir pautas como fora Bolsonaro, João Doria e fechamento do STF. 

“Estão tentando utilizar a categoria de caminhoneiros como massa de manobra e perdendo o objetivo de luta de direitos da categoria”, diz a Abrava em nota.

O QUE DIZ O GOVERNO

Há dias o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem feito sucessivos apelos aos caminhoneiros, que sempre foram seus aliados, para que a categoria desistisse da paralisação. 

Para tentar bloquear o ímpeto grevista, o presidente afirmou que pretende reduzir os impostos sobre o diesel, para aliviar o bolso dos trabalhadores, e compensar a alta recente de 4,4% do preço do combustível.

Mas a pauta de reivindicações dos caminhoneiros não se resume ao valor do diesel. Entre as demandas, estão questões como fiscalização do piso do frete, incentivo à renovação de frota e crédito para a manutenção dos caminhões, melhoria das rodovias e conclusão do Documento de Transporte Eletrônico (DTE).

Bolsonaro explicou, no entanto, que a conta para retirar os impostos não é fácil. Cada centavo na redução do PIS/Cofins sobre o diesel representa um impacto de 800 milhões de reais nas contas públicas, que já estão no vermelho há seis anos. Um peso alto diante de uma crise econômica que já se agudiza com a pandemia de coronavírus.

Na tentativa de acalmar o ânimo dos caminhoneiros e não perder apoio da categoria, Bolsonaro pediu à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para zerar o imposto de importação sobre pneus para veículos de carga, pedido que foi aceito. 

A categoria também foi incluída no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19.

Entidades contrárias à manifestação dizem que alguns grupos estão aproveitando o movimento de luta para incluir pautas como fora Bolsonaro, João Doria e fechamento do STF.

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