Coronavac, Pfizer e Astrazeneca: conheça as diferenças entre as vacinas

Todas elas estão entregando o que prometeram e são eficazes contra a covid-19.

No Brasil, estão sendo aplicadas pelo Programa Nacional de Imunização, imunizantes de três marcas: Coronavac, Pfizer, Astrazeneca, nos grupos prioritários.

A Coronavac e a Astrazeneca chegaram ao Brasil em janeiro, já a primeira remessa com um milhão de doses da Pfizer chegou ao país no dia 29 de abril.

A Pfizer foi a primeira a receber registro definitivo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas qual é a diferença entre elas? Veja os pontos principais:

Coronavac

Fabricante: A vacina é produzido pela biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech. A empresa produz outros imunizantes para Hepatite A e B, influenza e caxumba.

No Brasil, o Instituto Butantan fechou parceria com o laboratório para importar o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) e produzir as doses em São Paulo.

Autorização: A Anvisa autorizou, em janeiro, o uso emergencial da Coronavac produzida pela Sinovac e importada ao Brasil e também do imunizante fabricado pelo Butantan com IFA estrangeiro.

Eficácia: Em estudos realizados no Brasil com profissionais da saúde, a Coronavac mostrou ter uma eficácia geral de 50,38%. Essa porcentagem é medida comparando-se os números entre aqueles que receberam a vacina e os que tomaram placebo. A eficácia para casos leves, em pacientes que precisam receber alguma assistência médica, é de 77,96%.

Componentes: A Coronavac usa uma versão inativada do coronavírus. Durante a produção da vacina, o vírus é multiplicado em células e, depois, é exposto a produtos químicos que inativam ele.

No momento em que a vacina é aplicada, o vírus é detectado pelo sistema imunológico, que desenvolve anticorpos. Porém, como o vírus é incapaz de se reproduzir, a pessoa não fica doente.

Tempo entre doses: É indicado que a aplicação da segunda dose ocorra em um intervalo de 14 a 28 dias. Santa Catarina começou a vacinação utilizando o prazo de 21 dias entre as doses, porém, com o atraso de entrega das vacinas pelo Minsitério da Saúde, o Estado aumentou o intervalo para 28 dias. Em algumas cidades, a segunda dose está atrasada para aqueles que se vacinaram com a Coronavac.

Armazenamento: A Coronavac é armazenada em temperatura de geladeira, entre 2 °C e 8 °C, o que facilita o armazenamento e a distribuição pelo Brasil.

Efeitos colaterais: Os sintomas relatados por aqueles que participaram dos estudos da Coronavac foram dor e inchaço no local de aplicação da dose, fadiga e dor de cabeça.

Variantes e a vacina: A Coronavac é produzida com o vírus inativado contendo todas as partes. Isso pode gerar uma resposta imune mais abrangente e pode proteger contra as variantes. Segundo dados divulgados pela Sinovac recentemente, o imunizante protege contra as variantes de P.1 (Manaus), P.2 (Rio de Janeiro) e N9. Os testes utilizaram 12 cepas e a vacina mostrou uma variação na eficácia entre 80% e 100%.

Pfizer

Fabricante: A ComiRNAty, conhecida como Pfizer, foi desenvolvida pela empresa alemã BioNtech e produzida pela farmacêutica americana Pfizer.

Autorização: A Pfizer foi a primeira vacina a receber o registro definitivo da Anvisa, em fevereiro.

Eficácia: Segundo estudo divulgado pela fornecedora e desenvolvedora da Pfizer, a vacina apresenta 91,3% de eficácia para evitar o contágio pelo coronavírus por pelo menos seis meses após a aplicação da segunda dose. Além disso, previne em 100% os casos graves.

Componentes: A vacina é densenvolvida com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O imunizante “ensina” as células do corpo a produzir os anticorpos para se defender contra o coronavírus. Diferente dos outros laboratórios, a Pfizer não insere o vírus atenuado ou inativo no organismo de uma pessoa, mas ensina as células a produzirem uma proteína que estimula a resposta imunológica.  

Tempo entre doses: O intervalo recomendado pelos fabricantes da Pfizer e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 21 dias. Porém, Estados Unidos e Alemanha aplicam a segunda dose em 42 dias e, o Reino Unido, em 84.

O governo brasileiro recomendou o mesmo intervalo seguido pelo país inglês, usando como base a alta eficácia da vacina depois a primeira dose.

Armazenamento: A Pfizer precisa ser armazenada em temperaturas entre – 85 °C e -60 °C, o que dificulta a logistíca de distribuição no Brasil. Porém, o país está usando uma estratégia diferente. Enquanto ficam armazenadas pelo Ministério da Saúde, as doses são mantidas em – 85 °C.

Ao serem distribuídas para os estados, os frascos podem ser mantidos em temperaturas entre -25 °C e -15 °C, por no máximo 14 dias. A vacina também pode ser armanzenada em temperaturas de 2 °C a 8 °C durante 5 dias.

Efeitos colaterais: As reações mais comuns são fadiga e cansaço. Alguns pacientes, ao receberem a vacina com a nova tecnologia de RNA mensageiro, apresentaram forte reação alérgica com sintomas que incluem irritação na pele, náuseas, vômitos, dificuldade respiratória e choque hemorrágico. 

Variantes e a vacina: Estudos divulgaram que a Pfizer, além de combater a primeira variante que provoca a Covid-19, é eficaz contra a variante brasileira P.1.

Astrazeneca

Fabricante: A vacina foi produzida pela Universidade de Oxford e pela empresa farmacêutica britânico-sueca Astrazeneca e tem o nome oficial de ChAdOx1 nCoV-19.

No Brasil, a vacina é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem parceria com os produtores do imunizante. O ingrediente farmacêutico ativo (IFA) usado no país é produzido pelo laboratório Wuxi Biologics, na China. 

Autorização: Em janeiro, a Astrazeneca teve o uso emergencial aprovado. Em março, a Anvisa concedeu o registro definitivo ao imunizante produzido pela Astrazeneca e pela Fiocruz.

Eficácia: Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina da Oxford/Astrazeneca apresentou 64,2% de eficácia contra a Covid-19 nos estudos clínicos realizados no Brasil. A eficácia do imunizante, de acordo com a situação, varia entre 30,6% e 81,5%.

Componentes: A vacina da AstraZeneca usa um adenovírus comum em chimpanzés. Essa é uma tecnologia que utiliza o chamado “vetor viral”.

Esse vírus é modificado e leva para as células do indíviduo vacinado um material genético capaz de produzir uma proteína do Sars-Cov-2, chamada de “S”, de Spike, que é usada pelo coronavírus para invadir as células.

Esse material estranho faz a defesa do corpo começar a produzir defesas para barrar o vírus. Dessa forma, se o coronavírus realmente infectar a pessoa, o corpo já sabe responder de forma rápida e impedir que a pessoa adoeça.

Tempo entre doses: O intervalo entre as duas doses varia entre 8 a 12 semanas. O Ministério da Saúde seguirá o protocolo e irá aplicar a segunda dose após três meses.

Armazenamento: A Astrazeneca é armazenada em temperaturas normais de refrigeração entre 2 °C e 8 °C por pelo menos seis meses, o que facilita transporte e aplicação.

Efeitos colaterais: A aplicação da Astrazeneca foi suspensa em alguns países por apresentar ligação com a formação de coágulos sanguíneos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que é possível, mas ainda não há confirmações. Além desse efeito mais grave e raro, há outros sintomas após a aplicação do imunizante, como dor no braço, dor de cabeça, febre e náuseas.

Variantes e a vacina: Alguns estudos já mostram a eficácia das vacinas contra Covid-19 em relação às novas variantes. O resultado de estudos mostra que a AstraZeneca é 75% eficaz contra a variante do Reino Unido e apresenta uma resposta menor, que ainda não foi divulgada, em relação à mutação sul-africana.

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