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Paciente misteriosa que ficou em coma por 24 anos é enterrada no ES

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Paciente foi atropelada no dia dos Namorados em 2000. Levada ao hospital sem identificação, nenhum familiar foi encontrado durante todos esses anos.

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Dois meses após a morte de Clarinha, a paciente não identificada que ficou 24 anos internada em coma em um hospital em Vitória foi sepultada nesta terça-feira (14).

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Clarinha morreu no dia 14 de março, ao passar mal após uma broncoaspiração. Desde o dia da morte, o corpo ficou no Departamento Médico Legal (DML) da capital, aguardando o resultado de exames de compatibilidade de possíveis familiares que buscaram a polícia, mas todos deram negativo.

Clarinha no Hospital da Polícia Militar do Espírito Santo em imagem de 2016 — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

“Dá um alívio muito grande poder terminar esse capítulo, permitir que o espírito dela possa descansar de maneira digna. O ciclo agora vai se fechar, mas a história dela segue aberta”, disse Coronel Jorge Potratz, médico responsável pelos principais cuidados durante o período.

O corpo de Clarinha foi enterrado no Cemitério Municipal de Maruípe, em Vitória, às 13h45. Cerimônia aconteceu desde o início da manhã e reuniu funcionários e ex-funcionários do hospital onde ela ficou ao longo desses anos.

No local, duas coroas de flores colocadas sobre o corpo marcaram o fim do sepultamento. “Procurei a vida inteira a família dela e chego à conclusão hoje de que nós constituímos a família dela”, disse o coronel Potratz.

A lápide ainda vai ser feita. A ideia é que tenha apenas o nome Clarinha, uma foto pequena e um versículo da Bíblia, que ainda não foi escolhido.

Clarinha foi atropelada no Dia dos Namorados, em 12 de junho de 2000, no Centro de Vitória. A mulher foi socorrida por uma ambulância, mas não possuía documentos, chegou ao hospital já desacordada e sem ser identificada.

Inicialmente, Clarinha foi levada para o Hospital São Lucas. Um ano depois, foi transferida para o Hospital da Polícia Militar, também na capital, onde permaneceu até o final da vida.

O coma da paciente era considerado elevado, ela nunca esteve lúcida ou houve qualquer tipo de comunicação consciente com a equipe médica.

Além do nome, nunca houve informações sobre idade, local onde morava e se tinha parentes no Espírito Santo ou em outro estado.

Desde o primeiro momento, a equipe médica teve esperança de encontrar algum parente ou até filho de Clarinha, já que ela tinha uma cicatriz de cesariana, mas isso não aconteceu.

A estimativa é que, em 2024, Clarinha tivesse entre 40 e 50 anos. Com autorização da Justiça, foi feito um registro civil, que possibilitou a confecção de uma certidão de óbito e a garantia que a Clarinha não fosse enterrada como indigente.

“O sentimento de não poder ter concluído a história como eu gostaria que fosse, me pega principalmente porque ela pode ter um filho. Ela chegou pra nós uma menina, devia ter uma criança de no máximo dois anos. É alguém que não se sabe que história tem, onde foi parar, como foi criada. O ciclo agora vai se fechar, mas a história dela segue aberta e eu ainda tenho esperança de que algum dia, ainda vai acontecer alguma coisa. Eu não desisti, Deus comanda tudo. No momento certo vai acontecer e se eu tiver que saber dessa história só do outro lado da vida, eu vou saber aguardar”, refletiu o médico Coronel Jorge Potratz, responsável pelos principais cuidados durante o todos esses anos.

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