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População em situação de rua no Brasil cresce e ultrapassa 365 mil pessoas

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Levantamento da UFMG aponta que o Sudeste concentra 61% do total nacional; precarização da vida e ausência de políticas habitacionais estão entre as causas.

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O número de brasileiros vivendo nas ruas apresentou um crescimento acentuado no último ano. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgados nesta quarta-feira (13), o país encerrou o último ano com 365.822 pessoas nessa condição — um salto significativo em relação aos 327.925 registrados em dezembro de 2024.

O estudo baseia-se em dados do CadÚnico, ferramenta que mapeia cidadãos em vulnerabilidade para o direcionamento de benefícios sociais.

Raio-X da Crise no Sudeste

A desigualdade regional é evidente no levantamento. A Região Sudeste é a mais afetada, abrigando 222.311 pessoas em situação de rua (61% do total).

Estados com maiores populações de rua:

  1. São Paulo: 150.958 pessoas.
  2. Rio de Janeiro: 33.656 pessoas.
  3. Minas Gerais: 33.139 pessoas.

No extremo oposto, o Amapá registra o menor número, com 292 cidadãos vivendo nestas condições.

Por que os números estão subindo?

Pesquisadores do Observatório apontam quatro pilares para explicar o avanço contínuo desde 2022:

  • Políticas Insuficientes: Falta de soluções estruturantes em moradia, trabalho e educação.
  • Precarização Pós-Pandemia: Impactos econômicos que empurraram famílias para a extrema pobreza.
  • Emergências Climáticas: Deslocamentos forçados causados por desastres naturais.
  • Visibilidade dos Dados: O fortalecimento do CadÚnico permitiu registrar pessoas que antes eram “invisíveis” ao Estado.
O dilema do custo de vida

Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, alerta que o combate à fome, embora tenha avançado, ainda esbarra no custo de vida. “Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque têm que pagar o aluguel ou comprar remédio”, afirma.

Mendonça cita o próprio exemplo: o alto custo de tratamentos de saúde e medicamentos consome a renda que deveria garantir a moradia, empurrando o cidadão para a rua. Ele defende que a solução passa por enxergar essa população como “cidadãos desempregados” que precisam de capacitação e combate ao preconceito no mercado de trabalho.

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