O monitoramento da Conib contabilizou 989 denúncias de atos de ódio contra judeus no Brasil ao longo de 2025. O número representa uma queda frente aos 1.788 casos de 2024 (ano marcado pelo auge das tensões após o 7 de outubro), mas acende um alerta vermelho: o patamar atual é 149% maior do que o registrado em 2022, quando houve 397 casos.
A “Normalização” do ódio digital
O documento destaca que o antissemitismo não recuou para os níveis históricos, mas sim “se instalou” na rotina digital brasileira. A imensa maioria das ocorrências acontece no ambiente virtual:
- Casos Digitais: 800 denúncias (80,8% do total).
- Ranking das Plataformas:
- Instagram: 37,1% das denúncias online.
- X (antigo Twitter): 13,9%.
- Facebook: 11,6%.
Com o auxílio de Inteligência Artificial, o levantamento identificou mais de 115 mil manifestações antissemitas na internet, com um alcance potencial de 66 milhões de pessoas — o que equivale a mais de um terço da população adulta do Brasil.
Ameaça à democracia
O relatório da Conib ressalta que o avanço do antissemitismo é um sintoma de algo mais grave para toda a sociedade. Segundo o texto, o ódio aos judeus costuma antecipar processos de “erosão democrática” e o enfraquecimento do Estado de Direito. “Onde ele avança, outras formas de intolerância e autoritarismo tendem a se seguir”, alerta a entidade.

















