O primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band neste domingo (23), refletiu de forma involuntária a estabilidade captada pelas pesquisas eleitorais mais recentes de agosto, que mostram uma baixa disposição dos eleitores em mudar de voto até o dia da eleição, variando entre um terço e um quinto do eleitorado.

Diante desse cenário de cristalização das intenções de voto, os dois nomes mais bem colocados nos levantamentos — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição — optaram pelo cálculo político de faltar ao confronto direto, preferindo o desgaste momentâneo da ausência ao risco de cometer erros transmissíveis ao vivo. Lula foi o principal alvo das críticas de seus adversários, desde o primeiro bloco da transmissão.
Até mesmo postulantes sem convite por lei obrigatória, como o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), decidiram de última hora não comparecer e abrir mão do palanque ao lado de concorrentes em patamar equivalente nas pesquisas, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Levantamentos do instituto BTG/Nexus apontam que Lula e Flávio possuem os eleitores mais convictos do pleito — com 86% e 82% de fidelidade declarada, respectivamente —, o que reduz drasticamente o impacto de perdas eleitorais pela falta no evento. A aposta mais arriscada fica por conta de Zema, que apresenta maior volatilidade de votos, tendo como segunda opção majoritária justamente o eleitorado de Flávio Bolsonaro.
Candidatos como Renan Santos abriram o debate disparando ataques duros contra o petista e a ausência do senador do PL, acusando a gestão do governo federal.
Renan chamou o presidente de “tranqueira” e “canalha”. “Sou um brasileiro indignado que nos últimos 12 anos enfrentou a roubalheira desse canalha do Lula”, disse.
O candidato do Missão afirmou que parte do eleitorado do petista está no Bolsa Família, “porque ainda acredita que Lula é a única fonte de comida dele”. “O eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, apontou Renan.
Ronaldo Caiado também criticou duramente a condução econômica e a saída de investidores do país, enquanto Augusto Cury cobrou a presença do presidente para responder pelos problemas da educação, definindo a gestão petista como assistencialista. “Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”, afirmou Cury.
Bastidores da campanha de Lula alegaram divergências sobre o critério de convites para os demais postulantes, enquanto a equipe de Flávio justificou que a presença só faria sentido para o confronto direto com o atual presidente.
Antes de entrarem no estúdio da emissora, os concorrentes presentes ironizaram as ausências na área de imprensa.
Renan Santos exibiu fraldas com os nomes dos dois líderes das pesquisas, enquanto Ronaldo Caiado chegou a declarar que a falta injustificada ao primeiro debate deveria ser motivo para a cassação do registro de candidatura perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




















