A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, confirmou nesta quarta-feira (30) que o chefe do Executivo não comparecerá ao debate promovido pela TV Globo, agendado para a noite de quinta-feira (1º).
O confronto nos estúdios da emissora seria o último encontro entre os presidenciáveis antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para o próximo domingo (4).
A decisão da campanha petista retoma uma tática empregada por Lula no pleito de 2006, ocasião em que o candidato também optou por ausentar-se de todos os debates no primeiro turno. No entanto, o contexto político da época era distinto: em 2006, Lula detinha uma folgada liderança nas pesquisas sobre os adversários, vindo a disputar e vencer o segundo turno contra Geraldo Alckmin — atual vice-presidente da República.
Desta vez, a recusa ocorre em uma conjuntura eleitoral de polarização e margem estreita. Dados do Agregador de Pesquisas apontam diminuição na vantagem do atual presidente sobre Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e um cenário de empate técnico nas simulações de segundo turno.
Participantes e análise de especialistas
Com a ausência de Lula, o debate da TV Globo contará com as presenças confirmadas de Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). Além destes, o candidato Romeu Zema (Novo) também participará do encontro por força de uma determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques.
Analistas e cientistas políticos avaliam que a decisão do comitê petista visa blindar o presidente de ataques diretos e minimizar a exposição a riscos na reta final do primeiro turno.
- Preservação de imagem: Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a opção foca em poupar o candidato para a disputa de um provável segundo turno, evitando embates diretos que tragam desgaste à imagem do candidato.
- Custo político e desgaste democrático: Por outro lado, Marco Antonio Teixeira, professor da FGV São Paulo, pondera que a ausência pode ser interpretada negativamente pelo eleitorado. Na avaliação do especialista, a falta ao confronto diminui o espaço para o confronto direto de propostas e deverá ser explorada pelos adversários políticos.

