Saiba como evitar brigas, com família e amigos, nas festas comemorativas

O reencontro entre familiares e amigos nas festas de fim de ano guarda uma tensão a mais neste ano. Como refazer laços após as brigas do ano passado, causadas por divergências de valores e posições políticas? Para alguns grupos familiares que se reúnem apenas uma vez ao ano, esta pode ser a chance de desfazer mal-entendidos. Mas é preciso estar preparado.

Confira algumas dicas:

Reconheça as diferenças

Saber que o seu familiar é outra pessoa, com vivência e valores diferentes, é um conceito pode parecer simples mas, na prática, esconde a base da maioria dos conflitos.

“As pessoas querem que os outros pensem como elas. Se a gente vai para uma conversa, sem respeitar que o outro tem um ponto de vista diferente, não há diálogo”.

“As festas de fim de ano não são festas com os amigos. Elas costumam reunir parentes que não convivem diariamente, então o ideal é falar de assuntos mais amenos e respeitar o que o outro diz. Não é hora de convencê-lo do contrário”.

Discordar não é brigar

“As relações humanas implicam em tensões”.  É importante ir à festas sabendo que pode haver conflito.

“Pode parecer estranho pensar no conflito, porque nesta época do ano a gente só quer paz e harmonia. Mas, se você achar que será tudo às mil maravilhas e surgir uma tensão, você pode ser pego de surpresa e não reagir bem”.

“Essa é a grande vantagem de já ter tido discussões no ano passado. Você não precisa mais marcar seu ponto de vista, tudo mundo já sabe. Às vezes, a paz vem quando a gente concorda em discordar”.

Por trás de uma discussão, há sempre um motivo além daquele que está sendo dito.

“Por trás de alguém que fere, sempre tem alguém ferido. Tente entender por que essa pessoa está fazendo tanto barulho, e construa mais pontes (entre os familiares) e menos muros (que os distanciem)”.

Não tente convencer o outro

Alerta para o risco de tentar convencer o familiar sobre o seu ponto de vista: “Às vezes a gente pensa que o outro só não concorda porque não te entendeu. Mas o outro pensa igual sobre você. E, nessas conversas, o tom sobe”.

“Se a gente pensar que todo mundo já entendeu e só não concordou, o conflito acaba”.

Outro modo de gerenciar o conflito é pensar que toda ação é reflexo de uma necessidade, de algo que a pessoa quer preservar.

“Isso tira a imagem de vilão e traz de volta ao familiar a imagem de uma pessoa que quer preservar algumas coisas. O que e o como podem ser diferentes, mas nas ‘necessidades’, não há conflito”.

Observe, fale, conte sua necessidade, faça um pedido

Observe sem julgar: é importante ouvir a opinião do familiar sem julgamento de valores, tendo em mente que cada pessoa tem uma história, um passado, e um repertório de informação e educação diferentes.

Neste momento, é importante refletir se vale a pena entrar em uma discussão e calcular os prós e contras da situação.

Fale como se sente: caso tenha algum ponto de tensão, fale o que incomodou: se foi uma opinião política ou uma briga por motivos familiares, explique como aquilo causa impacto em você.
Conte sua necessidade: ao dizer como se sente, fale também sobre o que você precisa para que os conflitos não apareçam novamente. 
Se é uma questão familiar, como em relação ao cuidado com os mais idosos, proponha uma reflexão em conjunto sobre o que cada familiar precisa para dar atenção àquele parente que inspira cuidados.
Faça um pedido: chegue a um acordo com o seu familiar sobre os passos seguintes. Ao reconhecer como se sentiu e quais as suas necessidades, peça para que haja alguma mudança para que o caso não se repita no futuro.

E se não der certo?

Se, após ler estas dicas, você não se sentir disposto a restaurar relações com algum familiar, não se sinta obrigado. Há relações que são difíceis e não se resolvem em um encontro de fim de ano.

“Se você acreditar que não dá, que é um vínculo muito difícil – até porque muitas relações familiares são tóxicas –, se respeite. Está tudo bem não ter que se dar bem com todo mundo’.

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