Júri condena homem que matou a ex com facão, em Timbó Grande

Na presença do filho, ele desferiu dois golpes no pescoço e um na região do tórax da ex-mulher.

Em sessão do Tribunal do Júri na comarca de Santa Cecília, um homem foi condenado a 24 anos de reclusão por feminicídio, em regime fechado. Segundo o Ministério Público, o crime foi praticado na frente do filho do réu e da vítima.

Gessika Marafigo Martiol, de 25 anos, foi encontrada morta no dia 25 de maio de 2020, no apartamento onde morava, em Timbó Grande, município com cerca de 8 mil habitantes, no Planalto Norte catarinense.

O ex companheiro se apresentou à polícia dois dias depois do crime, mas como não houve flagrante, prestou depoimento e foi liberado.

De acordo com o delegado Cassiano Tiburski, responsável pelas investigações na época, o homem alegou circunstância compatível com legítima defesa. Disse também que ficou transtornado e agiu no ímpeto, que ’não sabia o que estava fazendo’. Falou que tentou socorrer, mas que ela já estava sem vida.

Conforme a denúncia do Ministério Público, o homem, na época com 45 anos de idade, foi até a residência da ex-companheira, armado com um facão de cerca de 30 centímetros.

“Na presença do filho, desferiu dois golpes no pescoço e um na região do tórax. Eles tinham terminado o relacionamento havia um mês. Inconformado com a separação, tirou a vida da mulher sem que ela pudesse se defender da agressão”, anotou na sentença, o juiz Gabriel Marcon Dalponte.

O crime foi qualificado pelo motivo fútil, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo meio cruel. A sentença determina, ainda, que o condenado pague R$ 15 mil à criança pelos danos morais sofridos.

Recolhido preventivamente no Presídio Regional de Caçador, mesmo com a possibilidade de recorrer da decisão, o réu teve negado o direito de recorrer em liberdade.

A prisão do condenado se tornou imprescindível para garantia da ordem pública e paz social do pequeno município, afetada pela gravidade da conduta do réu”, diz a sentença.

Gessika era técnica de enfermagem, trabalhava na Fundação Hospitalar Moisés Dias de Timbó Grande, e deixou um filho de 6 anos, fruto da relação com o condenado pelo crime.