“Estão com pressa. Muita pressa. O processo contra mim avança a uma velocidade 14 vezes maior que o do Mensalão e pelo menos 10 vezes mais rápida que o de Lula na Lava Jato“. Essas foram as palavras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em suas redes sociais, após os ministros do STF votarem a favor para torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado.
— E o motivo? Nem tentam mais esconder. A própria imprensa noticia, abertamente e sem rodeios, que a motivação não é jurídica, mas política: o tribunal tenta evitar que eu seja julgado em 2026, pois querem impedir que eu chegue livre às eleições porque sabem que, numa disputa justa, não há candidato capaz de me vencer, afirmou.
Ele disse que as acusações são “graves e infundadas”. “Ontem fui ao Supremo, foi uma decisão de última hora. Hoje resolvi não ir, motivo: obviamente sabia o que ia acontecer”, falou. “Parece que eles têm algo pessoal contra mim, e as acusações são muito graves e infundadas”.
Bolsonaro lembrou que desencorajou manifestações violentas em transmissões ao vivo nas redes sociais, mas que o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, escolheu não juntar essas imagens ao processo. “Ele bota o que ele quer lá, por isso que os inquéritos dele são secretos“, declarou.
— A julgar pelo que lemos na imprensa, estamos diante de um julgamento com data, alvo e resultado definidos de antemão. Algo que seria um teatro processual disfarçado de Justiça – não um processo penal, mas um projeto de poder que tem por objetivo interferir na dinâmica política e eleitoral do país.
— A ironia é que, quanto mais atropelam regras, prazos e garantias para tentar me eliminar, mais escancarado fica o medo que eles têm das urnas e da vontade do povo. Se realmente acreditassem na democracia que dizem defender, me enfrentariam no voto, não no tapetão, ironizou.
Ex-presidente negou tentativa de golpe. Segundo ele, a assinatura de um decreto não significaria nada, porque seria necessário convocar os conselhos da República antes. “Não convoquei os conselhos da república, nem atos preparatórios houve para isso. Se é que você trabalhar com o dispositivo constitucional, é sinal de golpe. Golpe não tem lei, não tem norma”, falou.
Ele admitiu, porém, que discutiu “hipóteses de dispositivos constitucionais” com os comandantes das Forças Armadas. “Os comandantes jamais embarcariam numa aventura. Eu discuti hipóteses de dispositivos constitucionais. Isso não é crime.”
Ele também comparou o Brasil à Venezuela e voltou a fazer ataques à urna eletrônica. “O voto impresso é um direito, como a contagem publica de votos tem que ser feita”, declarou.
— Mas não pensem que o mundo não está atento. A comunidade internacional acompanha de perto o que está acontecendo no Brasil. Juristas, diplomatas e lideranças políticas já reconhecem o padrão: é o mesmo roteiro que se viu na Nicarágua e na Venezuela. Perseguição seletiva, acusações vagas de “extremismo” ou de “ameaça à democracia” e a tentativa de eliminar a oposição por via judicial, concluiu.