Após um dos júris mais longos da história da comarca de Capinzal, no Oeste de Santa Catarina, que durou mais de 25 horas, Claudia Tavares Hoeckler foi condenada a 20 anos e 24 dias de reclusão em regime fechado. A sentença, lida na noite desta sexta-feira (29), considerou a ré culpada por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
O crime, que chocou a comunidade de Lacerdópolis em novembro de 2022, envolveu o assassinato do próprio marido, Valdemir Hoeckler. Segundo a denúncia, ela o dopou, amarrou e asfixiou com uma sacola plástica.
Em seguida, escondeu o corpo da vítima dentro de um freezer na casa do casal e registrou um falso boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento, o que mobilizou a comunidade em buscas por cinco dias. O corpo foi localizado enrolado em um lençol e coberto por alimentos. Refrigerantes, que estavam em cima do corpo, foram oferecidos aos bombeiros que ajudavam nas buscas.
O julgamento, realizado na Câmara de Vereadores, atraiu grande público e exigiu reforço na segurança. Durante a sessão, o Ministério Público expôs o freezer utilizado no crime diante dos jurados.
O interrogatório da ré iniciou na noite do primeiro dia de julgamento. Ela não se sentiu bem, foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e retornou ao plenário nesta sexta para conclusão do interrogatório. A defesa ainda pode recorrer da decisão. Cláudia era professora e tem uma filha com a vítima.
Vida marcada por abusos
Na época do crime, Cláudia e sua defesa alegaram que o assassinato foi resultado de anos de violência doméstica, incluindo agressões físicas, psicológicas e financeiras, ao longo de mais de duas décadas de relacionamento.
Em entrevista, ela relatou que chegou a procurar a Polícia Civil em 2019 para pedir medida protetiva, mas retirou a denúncia após o marido pedir uma reconciliação.
Cláudia relatou ainda que, no dia anterior ao crime, foi agredida por Valdemir após informar que participaria de uma viagem com colegas professoras. Segundo ela, o marido a ameaçou de morte caso insistisse na viagem.
No depoimento, Cláudia afirmou que, ao ser novamente ameaçada, teve um “surto”:
“Eu pensei: já que alguém vai morrer, então seja você.”