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Júri condena mulher a 20 anos por matar marido e ocultar corpo no freezer 

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Valdemir era motorista de caminhão, tinha 52 anos e foi achado na casa em que o casal vivia após cinco dias desaparecido.

Após um dos júris mais longos da história da comarca de Capinzal, no Oeste de Santa Catarina, que durou mais de 25 horas, Claudia Tavares Hoeckler foi condenada a 20 anos e 24 dias de reclusão em regime fechado. A sentença, lida na noite desta sexta-feira (29), considerou a ré culpada por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

O crime, que chocou a comunidade de Lacerdópolis em novembro de 2022, envolveu o assassinato do próprio marido, Valdemir Hoeckler. Segundo a denúncia, ela o dopou, amarrou e asfixiou com uma sacola plástica.

Em seguida, escondeu o corpo da vítima dentro de um freezer na casa do casal e registrou um falso boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento, o que mobilizou a comunidade em buscas por cinco dias. O corpo foi localizado enrolado em um lençol e coberto por alimentos. Refrigerantes, que estavam em cima do corpo, foram oferecidos aos bombeiros que ajudavam nas buscas.

O julgamento, realizado na Câmara de Vereadores, atraiu grande público e exigiu reforço na segurança. Durante a sessão, o Ministério Público expôs o freezer utilizado no crime diante dos jurados.

O interrogatório da ré iniciou na noite do primeiro dia de julgamento. Ela não se sentiu bem, foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e retornou ao plenário nesta sexta para conclusão do interrogatório. A defesa ainda pode recorrer da decisão. Cláudia era professora e tem uma filha com a vítima.

Vida marcada por abusos

Na época do crime, Cláudia e sua defesa alegaram que o assassinato foi resultado de anos de violência doméstica, incluindo agressões físicas, psicológicas e financeiras, ao longo de mais de duas décadas de relacionamento.

Em entrevista, ela relatou que chegou a procurar a Polícia Civil em 2019 para pedir medida protetiva, mas retirou a denúncia após o marido pedir uma reconciliação.

Cláudia relatou ainda que, no dia anterior ao crime, foi agredida por Valdemir após informar que participaria de uma viagem com colegas professoras. Segundo ela, o marido a ameaçou de morte caso insistisse na viagem.

No depoimento, Cláudia afirmou que, ao ser novamente ameaçada, teve um “surto”:
“Eu pensei: já que alguém vai morrer, então seja você.”