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Há 5 anos, Brasil aplicava primeiras doses de vacina contra a covid-19

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Estudos apontam que vacinação salvou mais de 300 mil vidas no país.

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Em 17 de janeiro de 2021, o Brasil assistia ao início de uma virada histórica. Logo após a Anvisa aprovar o uso emergencial dos primeiros imunizantes, a enfermeira paulista Mônica Calazans, então com 54 anos, tornava-se a primeira brasileira vacinada. O gesto de erguer o punho cerrado após receber a Coronavac não foi apenas uma foto de jornal; foi uma mensagem de resistência de uma profissional que estava na linha de frente do Instituto Emílio Ribas.

Enfermeira Mônica Calazans após receber a vacina contra a covid-19 — Foto de arquivo

 A enfermeira conta que estava de plantão naquele domingo quando foi avisada pela chefe que deveria ir até o local da cerimônia, onde autoridades aguardavam a decisão da Anvisa para começar a vacinação logo em seguida. Quando descobriu que seria a primeira a receber a vacina, não segurou as lágrimas:

“Eu chorava muito! De verdade! Porque a gente estava passando por um momento traumatizante, e o meu irmão estava com covid na época. E eu também chorei de emoção, de alegria, porque a ciência estava dando um passo importante para acabar com aquela tragédia que estava assolando o mundo.

Na hora que eu recebi a vacina, eu trouxe esperança para as pessoas. O meu punho cerrado era uma mensagem de esperança e de vitória. De que nós iríamos vencer essa fase tão terrível “

O Impacto avassalador na mortalidade

A chegada das vacinas (Coronavac em 17/01 e Oxford/AstraZeneca em 23/01) alterou drasticamente a curva da tragédia. Dados consolidados pelo Observatório Covid-19 Brasil mostram que o benefício foi imediato:

  • Queda vertical: Já em abril de 2021, as mortes de idosos começaram a cair vertiginosamente.
  • Vidas salvas: Estima-se que, nos primeiros sete meses, a vacinação evitou 165 mil hospitalizações e 58 mil mortes apenas entre idosos.
  • Balanço de um ano: Com 339 milhões de doses aplicadas em 12 meses, preveniu-se 82% das mortes esperadas, poupando mais de 300 mil brasileiros.

Ferida aberta

A celebração de cinco anos também traz à tona um debate doloroso: a vacinação poderia ter começado antes? Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Observatório Covid-19 indicam que a resposta é sim.

  • Negligência: O relatório final da CPI da Covid apontou que o Governo Federal ignorou ofertas da Pfizer em agosto de 2020. Se o Brasil tivesse começado a vacinar 40 dias antes (junto com o Reino Unido), cerca de 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas.
  • Estatística do luto: Pesquisadores calculam que, entre os idosos, outras 47 mil vidas teriam sido salvas caso não houvesse o atraso intencional na compra de doses.

Por trás dos números, há histórias como as de Paola, que perdeu o companheiro em maio de 2021.

“Um mês depois que o Cláudio faleceu, eu fui tomar vacina. Nós tínhamos a mesma idade, então, ele iria tomar no mesmo momento. E é muito revoltante pensar isso, que ele não teve essa oportunidade. Imagina quanta gente poderia ter tomado a vacina, e tido a chance de sobreviver”.

A luta por Justiça

Para famílias como a de Paola Falceta, vice-presidente da Avico (Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19), a data é de memória e cobrança. Sua mãe faleceu em janeiro de 2021, dias antes da vacina chegar.

“Muitos dos que morreram foram as pessoas que poderiam ter tomado a vacina antes e não conseguiram. Essa falta foi imposta pela gestão da época”, desabafa Paola.

Atualmente, o caso ganhou novos desdobramentos jurídicos. Após o arquivamento inicial em 2022, o ministro do STF, Flávio Dino, determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar as omissões e a escassez de doses denunciadas pela CPI, mantendo viva a busca por responsabilidades sobre as perdas ocorridas no pico da variante Gama.

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