Um incidente dramático marcou a tarde deste domingo (25) na capital federal. Um raio atingiu um grupo de manifestantes que se reunia na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, para o encerramento de um ato político. Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, 72 pessoas receberam atendimento médico no local.
O grupo aguardava a chegada de uma passeata em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), sob uma forte chuva. Pouco antes das 13h, o raio atingiu a área próxima ao Memorial JK. Vídeos que circulam nas redes sociais registraram o clarão e o desespero dos presentes no momento da descarga.
Segundo o capitão Robson, oficial do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBM-DF), um raio atingiu um guindaste posicionado no local do evento. A descarga percorreu a estrutura e, ao atingir o solo, feriu várias pessoas que estavam próximas das grades metálicas.
Atendimento de Emergência
Bombeiros militares, que já faziam o monitoramento preventivo do evento, montaram imediatamente uma tenda de triagem. O balanço do atendimento, segundo dados oficiais, aponta:
- 72 atendimentos totais: Incluindo feridos e pessoas em estado de choque;
- 24 encaminhamentos hospitalares: 13 vítimas foram para o Hospital de Base e 11 para o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN);
- 8 pacientes em estado grave: Permanecem sob cuidados intensivos devido à gravidade das queimaduras ou paradas cardiorrespiratórias causadas pelo choque.
Muitas pessoas precisaram de auxílio médico não por ferimentos físicos, mas devido ao forte nervosismo e pânico generalizado após o estrondo.
‘Caminhada pela Liberdade’
A caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, apelidada de “Caminhada pela Liberdade”, partiu de Minas Gerais com destino a Brasília, com a previsão de ser concluída com um ato neste domingo.
O movimento, iniciado na última segunda-feira (19), percorreu aproximadamente 240 quilômetros como forma de protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e as condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro de 2023.
Segundo o parlamentar, o ato possui caráter “simbólico” e visa “trazer luz” e “dar esperança” aos apoiadores. No sábado (24), em entrevista exclusiva a Jovem Pan, ao passar por Valparaíso de Goiás, Nikolas avaliou que o objetivo da mobilização já foi atingido ao promover um “despertar” político na população.
Durante o percurso, o deputado compartilhou relatos de casos que considera “absurdos” no país a cada 10 quilômetros percorridos, incluindo menções à morte do comerciante Cleriston Pereira da Cunha na Papuda (relembre abaixo).
A segurança do deputado chamou a atenção durante o trajeto. Em vídeos divulgados nas redes sociais, Nikolas Ferreira foi visto utilizando colete à prova de balas. O parlamentar alegou a presença de supostos infiltrados e ameaças para justificar a medida.
Quem era Cleriston Pereira da Cunha, preso do 8/1 que morreu na Papuda
Empresário de 46 anos e membro de uma família de políticos do interior da Bahia, Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clesão”, foi preso em janeiro após participar da invasão dos prédios dos Três Poderes. No dia 20 de novembro de 2023 ele morreu enquanto estava em um banho de sol, na Penitenciária da Papuda, em Brasília. A causa da morte foi um infarto fulminante.
Enquanto estava detido, ele recebia remédios controlados para a diabetes e hipertensão e era acompanhado por uma equipe médica. A defesa de Cleriston havia pedido ao ministro Alexandre de Moraes para que ele fosse colocado em liberdade provisória.
No dia 1º de setembro daquele ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável ao pleito, mas o pedido não chegou a ser analisado pelo relator do inquérito, Alexandre de Moraes.











