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Se as abelhas fossem extintas, seria o fim do ser humano?

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Em torno de 75% das plantas agricultáveis do mundo dependem, em algum grau, da polinização.

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As abelhas, muitas vezes lembradas apenas por seu ferrão ou pelo mel, desempenham um papel fundamental na manutenção da vida no planeta. De acordo com artigo publicado pelo portal “IFSC Verifica”, esses insetos são as principais polinizadoras das plantas, garantindo a fecundação e, consequentemente, a produção de sementes e frutos.

A importância desse trabalho é corroborada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que estima que cerca de 75% das culturas agrícolas mundiais dependem, em algum grau, da polinização por animais.

O cenário global e o declínio das populações

Pelo mundo todo, pesquisadores e produtores de mel relatam situações em que aparecem muitas abelhas mortas ou em que as colmeias ficam vazias de repente. O fenômeno conhecido como Colony Collapse Disorder (Distúrbio do Colapso das Colônias), observado inicialmente em 2006 nos Estados Unidos, acendeu um alerta mundial ao revelar colmeias que, subitamente, perdiam suas operárias, restando apenas a rainha e o mel.

Embora o fenômeno específico relatado no hemisfério norte não tenha comprovação no Brasil, o país enfrenta crises graves. O artigo do “IFSC Verifica” destaca o episódio entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, quando cerca de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas em diversos estados brasileiros, incluindo Santa Catarina.

Dados globais reforçam a preocupação:

  • Europa: Um estudo de 2025 estima que 10% das abelhas selvagens europeias correm risco de extinção.
  • Declínio geral: Análises globais indicam que, entre 2006 e 2015, o número de espécies coletadas foi 25% menor do que o registrado antes da década de 1990.

As causas da mortalidade

Consideradas bioindicadoras da qualidade ambiental, as abelhas sofrem com uma combinação de fatores negativos:

  • Agrotóxicos: O uso indiscriminado de inseticidas, fungicidas e herbicidas é um dos maiores vilões. Estudos, como os da UFSC, identificaram traços de glifosato em produtos apícolas.
  • Contaminação sistêmica: O veneno aplicado nas lavouras contamina o néctar e o pólen, comprometendo toda a colmeia.
  • Fumacê: O malathion, utilizado no combate ao mosquito Aedes aegypti, também tem causado perdas significativas de enxames.
  • Degradação ambiental: Desmatamento, queimadas e mudanças climáticas também restringem o habitat e a saúde desses insetos.

Pode o ser humano substituir as abelhas?

O professor de Biologia, Mário César Sedrez (citado pelo IFSC), explica que a relação entre plantas e abelhas é fruto de uma coevolução de 100 milhões de anos. A eficiência desse trabalho é considerada insubstituível. Mas há tentativas.

A polinização artificial é usada em algumas lavouras de forma manual ou por drones e robôs, principalmente na China, em áreas onde o uso excessivo de agrotóxicos dizimou as populações de abelhas, como em plantações de maçãs e peras.

Embora existam tecnologias elas não chegam perto da eficácia e da gratuidade do serviço prestado pelas abelhas na natureza.

A importância da criação de abelhas

O artigo destaca que a apicultura e a meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) são estratégias vitais de conservação. Ao criar abelhas, produtores investem na saúde, no fortalecimento e na multiplicação das colônias, permitindo que parte desses enxames retorne à natureza e reforce as populações silvestres.

Santa Catarina em destaque: O estado é um gigante na produção nacional. Enquanto a média brasileira de produtividade é de 7,5 quilos de mel por quilômetro quadrado, Santa Catarina atinge 45 quilos.

Cerca de 14 mil famílias catarinenses dependem da apicultura, e a meliponicultura cresce como atividade de lazer e gastronomia, ganhando adeptos que criam essas abelhas mansas em jardins e quintais.

O “IFSC Verifica” alerta que, por serem animais silvestres e nativos, a criação exige responsabilidade. É indispensável o conhecimento técnico (fornecido por órgãos como a Epagri) e a regularização junto aos órgãos competentes:

  • Cidasc: Cadastro para monitoramento sanitário e controle de doenças.
  • Ibama: Registro obrigatório para a criação de animais nativos.

Fonte: IFSC Verifica (Artigo: “Se as abelhas fossem extintas, seria o fim do ser humano?”).

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