Soro anticovid, desenvolvido por pesquisadora canoinhense, será testado em humanos

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Soro será usado em pacientes que já infectados e promete reduzir a gravidade da doença provocada pelo novo coronavírus.
pesquisadora butantan

A Anvisa concedeu, nesta quarta-feira (24), a anuência para pesquisa clínica com o soro hiperimune anti-Sars-CoV-2, desenvolvido pelo Instituto Butantan. Na prática, é a autorização para que o Instituto faça o teste do soro em humanos. 

O soro anticovid será usado em pacientes que já infectados e promete reduzir a gravidade da doença provocada pelo novo coronavírus.

À frente das pesquisas está a canoinhense e bioquímica Ana Marisa Chudzinski Tavassi, Coordenadora Geral e de Inovação, e pesquisadora científica do Instituto Butantan em São Paulo.

DIFERENÇA DE SORO E VACINA

A pesquisadora explica que a vacina introduz o antígeno no paciente e espera que seu organismo responda quando tiver contato com a agente causador da doença.

Já a soroterapia vai ser utilizada em paciente que já está infectado. O soro é usado como remédio (não como preventivo), em quem já está com a doença.

A autorização para teste do soro foi condicionada a um Termo de Compromisso que prevê a entrega de informações complementares. Ou seja, o Butantan só pode aplicar o soro em humanos se enviar depois a documentação pendente.

Esta será a primeira vez que o soro do Butantan será testado em pessoas, o que exigiu da Agência uma avaliação criteriosa dos aspectos técnicos e de segurança do produto. Até o momento, o soro foi testado somente em animais (cavalos).

“Entramos com pedido de autorização para o estudo clínico há meses”, afirmou ontem Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, explicando também como serão feitos os testes clínicos do soro, que promete reduzir a gravidade a doença provocada pelo novo coronavírus.

“O estudo clínico será feito inicialmente com pacientes imunosuprimidos e transplantados, principalmente transplantados de rins, em que a mortalidade pela infecção é altíssima” informou o diretor do Butantan.

A análise do processo pela Anvisa levou nove dias. O restante do tempo foi utilizado pelo Butantan para complementar dados técnicos que faltavam no pedido original. O pedido de autorização do estudo foi enviado pelo Butantan do dia 2 de março.  

O objetivo da avaliação de uma proposta de pesquisa clínica é verificar se o estudo é suficiente para produzir dados confiáveis sobre a segurança e a eficácia do medicamento.

Isso envolve a avaliação do desenho estatístico da pesquisa, perfil de voluntários, definição de doses que serão testadas, entre outros aspectos.  

Foto: Ana Marisa Chudzinski Tavassi/Arquivo

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