A Polícia Civil de Santa Catarina instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias e a real motivação do homicídio de Carlos Chaves, de 56 anos. O interno, que possuía uma condenação de mais de sete décadas de prisão por crimes sexuais, foi assassinado por outro detento na tarde de quinta-feira (9).
O crime ocorreu nas primeiras horas da estada da vítima no Presídio Masculino de Lages, localizado na Serra catarinense.
Chaves havia sido transferido recentemente da Comarca da Capital e foi encontrado sem vida, com marcas visíveis de violência na região do pescoço, no interior de uma cela de triagem da unidade prisional.
De acordo com os relatórios oficiais da equipe de plantão, a ação ocorreu por volta do meio-dia. Um policial penal que fazia a guarda da ala dirigiu-se até a cela 01 — espaço destinado exclusivamente ao acolhimento e triagem de novos internos — após ouvir chamados insistentes vindos do local.
Ao abrir a estrutura de ferro, um dos detentos que dividia o espaço, identificado como Rodrigo Ribeiro Hofmann, de 31 anos, saiu do cubículo e confessou o homicídio de forma voluntária. Na ocasião, Hofmann declarou-se integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e afirmou textualmente ter ceifado a vida do companheiro de cela por meio de asfixia.
Diante do flagrante e da confissão, a equipe de segurança da unidade isolou o perímetro e removeu os demais detentos para o pátio de banho de sol para realizar a contagem física e garantir a ordem interna. Ao inspecionarem o espaço da cela, os policiais penais localizaram Carlos Chaves deitado de costas sob a pia do banheiro.
O setor de saúde do presídio foi acionado imediatamente. Duas enfermeiras do quadro funcional tentaram realizar manobras de primeiros socorros e reanimação, porém o óbito foi constatado no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi informado e recomendou o acionamento direto dos órgãos periciais.
Vítima tinha condenação por estupro de múltiplas vítimas
Carlos Chaves possuía uma condenação consolidada de 70 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime inicialmente fechado. A sentença definitiva havia sido proferida pelo juízo da Vara Única da Comarca de Bom Retiro, também na Serra catarinense, em decorrência de processos iniciados no fim da década de 1990 pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável praticados contra múltiplas vítimas.
Agentes da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil e peritos da Polícia Científica compareceram à penitenciária para realizar o levantamento do local do crime e a coleta de vestígios. O corpo de Chaves foi recolhido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Lages para a realização do exame necroscópico que determinará formalmente a causa da morte.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informou que todas as providências administrativas e disciplinares internas já foram adotadas.

























